Fiesp alerta contra proposta de acabar com a escala 6×1
Diretora da entidade afirma no Senado que a mudança pode afetar o funcionamento do comércio e de serviços essenciais aos fins de semana
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro do debate nacional durante audiência pública realizada no Senado Federal.
Na ocasião, a diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, manifestou posição contrária à proposta de redução da jornada semanal prevista na PEC 221/2019 e defendeu que a mudança pode gerar impactos diretos na oferta de serviços utilizados diariamente pela população.
Ao apresentar seus argumentos, a representante da Fiesp afirmou que trabalha na escala 5×2 e questionou como estabelecimentos como salões de beleza, supermercados e farmácias manteriam o funcionamento aos fins de semana caso a proposta avance.
Segundo ela, a rotina de milhões de brasileiros depende da disponibilidade desses serviços aos sábados e domingos, o que, em sua avaliação, deve ser considerado durante a análise da matéria.
A audiência reuniu parlamentares, representantes do setor produtivo, integrantes do governo e entidades ligadas aos trabalhadores para discutir os possíveis efeitos econômicos e sociais da proposta.
A PEC em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da previsão de dois dias de descanso por semana.
Durante as discussões, representantes da indústria e de outros segmentos empresariais defenderam que uma eventual redução da jornada poderá elevar custos operacionais, exigir novas contratações em setores de funcionamento contínuo e reduzir a competitividade de diversas atividades econômicas.
Também foi destacado que serviços essenciais e o comércio dependem de escalas flexíveis para manter atendimento durante todos os dias da semana.
As declarações de Luciana Nunes Freire repercutiram nas redes sociais e ampliaram o debate sobre os impactos da proposta.
A discussão ocorre em um momento em que o Congresso Nacional analisa mudanças nas regras da jornada de trabalho, tema que divide representantes do setor produtivo, sindicatos e parlamentares.