Distância necessária

Fachin defende ‘distanciamento’ de juízes para garantir justiça social

Presidente do STF diz que imparcialidade não é frieza e reconhece desafios como morosidade e debate sobre 'penduricalhos'

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Presidente do STF, ministro Edson Fachin | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (10) que o “saudável distanciamento” dos magistrados em relação às partes envolvidas em processos é essencial para garantir justiça social.

A declaração foi feita na abertura de um encontro com presidentes de tribunais superiores e de segunda instância, realizado na sede do STF. Segundo Fachin, a imparcialidade do Judiciário não deve ser interpretada como frieza, mas como um requisito para assegurar decisões equilibradas.

“No nosso país, o saudável distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social. A imparcialidade não é frieza, é a condição de possibilidade da equidade”, afirmou.

Durante o discurso, o ministro também reconheceu desafios enfrentados pelo Judiciário, como a morosidade processual, a crise de confiança pública, a complexidade da governança e as controvérsias envolvendo benefícios salariais conhecidos como “penduricalhos”. Fachin defendeu que o debate sobre remuneração de magistrados seja conduzido dentro dos limites da Constituição.

“Juízas e juízes não podem ser mal remunerados, mas tudo o que fazemos deve estar flagrantemente amparado no texto constitucional”, disse.

O tema dos benefícios extras será analisado pelo STF ainda neste mês. Em 25 de março, a Corte julgará liminares concedidas pelos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam, em âmbito nacional, o pagamento de penduricalhos sem previsão legal.

O encontro desta terça-feira contou ainda com a participação do presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello, do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, e do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin.

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