Ex-dono e sócios da Reag liquidada pelo BC visitaram nomeados de Lula
Instituição suspeita de crimes e de elo com facção ocupou agendas oficiais no Banco Central, ministérios e órgãos
Representantes da instituição financeira Reag, liquidada nesta quinta-feira (15) pelo Banco Central (BC), já frequentaram a agenda oficial de autoridades nomeadas pelo presidente Lula (PT). Entre os visitantes dos gabinetes de indicados pelo petista está o próprio banqueiro João Carlos Falpo Mansur, que fundou a gestora de investimentos e foi alvo da fase de ontem da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O ex-dono da Reag visitou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, no ano passado.
A Reag é investigada por outra operação, Carbono Oculto, deflagrada em 22 de agosto do ano passado para apurar suspeitas de um elo de financeiras e empresas de petróleo com a facção PCC. E Mansur esteve com Galípolo 11 dias antes, entre 16h30 e 17h30, com objetivo oficialmente registrado de “contribuir com propostas/sugestões para o processo decisório da Administração pública referente a: Estratégia de governo e/ou política pública”.
É papel do presidente do BC receber integrantes do mercado financeiro listados na bolsa de valores de São Paulo (B3), com a dimensão da Reag, que afirmava ter R$ 299 bilhões de investimentos sob sua gestão. Mas as relações da instituição suspeita é bem mais ampla, passando pela agenda pública de trabalho do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na época em que o petista chefiou a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Presidente do Banco Central Gabriel Galípolo e o presidente Lula. (Foto: Reprodução YouTube)
Livre acesso
O encontro com Padilha ocorreu na manhã do dia 14 de novembro de 2024, tendo como representantes da empresa suspeita Manoel Damasceno e Lina Xu, identificados como sócios do escritório da Reag Investimentos na China. Também participaram da audiência o presidente da Mineração Chinesa – Associação Mineração da China, Zeng Zhirong; o presidente da empresa portuária na China com foco na América Latina, a Sinolac Group, Yuan Lie.
Após a Operação Carbono, Padilha alegou ao site Metrópoles que a reunião era uma preparação para o que seria tratado sobre mineração, na vinda do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil. “A reunião com a Associação de Mineração da China, devidamente registrada no e-Agendas, integra uma série de encontros do governo federal com instituições chinesas no marco da vinda do presidente Xi Jiping ao Brasil em novembro de 2024”, disse o ministro, à coluna de Andreza Matais.
Como o Diário do Poder detalhou em matéria de 29 de agosto do ano passado, também há registros de representantes da Reag reunidos com o Ministério dos Transportes e com o Desenvolvimento Agrário. Além de reuniões da empresa investigada com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Ex-dono da Reag, João Carlos Mansur foi recebido pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, dias antes da Operação Carbono Oculto. (Foto: Reprodução/Reag)
Alvo de investigações
A Polícia Federal mirou Mansur, ontem (14), na nova fase da Compliance Zero, que apura crimes em fraudes de R$ 12,2 bilhões do Banco Master, também liquidado pelo BC em novembro do ano passado, quando seu dono, Daniel Vorcaro chegou a ser preso.
Além disso, o ex-presidente do Conselho de Administração da Reag, chegou a ser citado como suspeito de estruturar e administrar fundos de investimento usados pelo empresário Mohamad Hussein Mourad, principal alvo da Carbono Oculto.
Mansur foi citado pelo Ministério Público de São Paulo como responsável por “dinâmicas fraudulentas” envolvendo fundos de investimentos (Anna, Hans 95 e Mabruk II) e a BK Instituição de Pagamento, para Mohamad Mourad, que é dono da refinaria Copape, suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.