Entidades reagem a suposto assédio contra jornalista em caso envolvendo Vorcaro
Abraji e ANJ condenam acesso a dados e pedem apuração sobre mensagens atribuídas ao empresário em investigação da PF
Entidades representativas do jornalismo divulgaram nesta quinta-feira (2) manifestações públicas de repúdio após a divulgação de mensagens que apontam uma suposta tentativa de monitoramento da vida pessoal da jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo.
O episódio veio à tona a partir de investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As manifestações foram assinadas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).
As entidades afirmaram que qualquer tentativa de intimidar profissionais de imprensa representa uma ameaça ao livre exercício da atividade jornalística e defenderam a apuração rigorosa dos fatos apresentados pela investigação.
Segundo o material reunido pela Polícia Federal, mensagens atribuídas a Vorcaro e ao publicitário Thiago Miranda indicariam discussões sobre formas de interromper ou enfraquecer as reportagens produzidas por Malu Gaspar a respeito da situação financeira do Banco Master.
Os diálogos também fariam referência à busca por informações pessoais da jornalista, incluindo dados privados, além da avaliação de estratégias para afastá-la da cobertura do caso.
De acordo com as investigações, uma das alternativas discutidas teria sido apresentar uma proposta de contratação considerada financeiramente elevada para que a jornalista deixasse a cobertura relacionada ao banco.
As mensagens, no entanto, também mostram que a estratégia não teria avançado e que os envolvidos continuaram debatendo outras formas de lidar com as reportagens publicadas.
Em nota, a Abraji declarou solidariedade à jornalista e afirmou que episódios de intimidação contra profissionais da imprensa comprometem o direito da sociedade à informação.
A entidade também observou que mulheres jornalistas frequentemente são alvo de ataques quando investigam pessoas que ocupam posições de poder.
A ANJ classificou como grave a tentativa de acesso a informações pessoais da colunista e defendeu investigação sobre a origem dos dados que teriam sido utilizados.
A associação também ressaltou que a proteção das informações pessoais dos cidadãos deve ser garantida pelas normas previstas na legislação brasileira, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentaria o conteúdo da investigação.
Já a defesa de Thiago Miranda afirmou não ter tido acesso às mensagens mencionadas e criticou o que classificou como vazamento seletivo de informações do inquérito.
O caso se soma às investigações que envolvem o ex-controlador do Banco Master, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e outros delitos relacionados à instituição.
As novas revelações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades durante o andamento das investigações.