Reestruturação

Em reestruturação, Correios conseguem renegociar 98% das dívidas com fornecedores

Com apoio de empréstimo de R$ 12 bilhões, estatal projeta reverter déficit operacional até 2027

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Agência dos Correios. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Os Correios avançaram em seu processo de recuperação financeira ao atingirem a marca de 98,2% de dívidas renegociadas com prestadores de serviço e fornecedores até a última sexta-feira (13). A medida gerou uma economia direta de R$ 320 milhões, resultado de acordos em que os credores aceitaram abdicar de juros e multas para garantir o recebimento dos valores, parte dos quais será quitada em parcelas nominais, sem correções monetárias.

A estratégia de saneamento da estatal ocorre após um período de severa instabilidade financeira, marcado por um resultado negativo de R$ 6 bilhões acumulado entre janeiro e setembro do ano anterior. Para este exercício de 2026, a administração federal ainda projeta um déficit primário na casa dos R$ 9 bilhões, com a expectativa de que o equilíbrio pleno e o retorno ao lucro ocorram apenas a partir de 2027.

O fôlego financeiro para as atuais operações foi viabilizado por um aporte de R$ 12 bilhões, obtido no fechamento de 2025 por meio de um empréstimo bancário com aval da União. Além disso, a companhia estendeu o prazo para o pagamento de R$ 1,2 bilhão relativos a impostos e precatórios. Embora não represente um abatimento no montante total devido, o parcelamento funciona como um mecanismo para preservar o fluxo de caixa imediato da instituição.

No horizonte de curto prazo, a estatal aposta na alienação de ativos imobiliários. Ainda neste mês, deve ocorrer um leilão de edifícios avaliados em R$ 600 milhões, concentrados em grandes e médias cidades. A meta é que o certame arrecade até R$ 120 milhões inicialmente, fazendo parte de um cronograma maior que prevê a venda de R$ 1,5 bilhão em patrimônio físico da empresa.

No âmbito administrativo, os Correios conduzem um Plano de Demissão Voluntária (PDV) com teto de 10 mil desligamentos. Até o momento, 500 colaboradores já aderiram e a previsão é que outros mil saiam até a próxima segunda-feira (16). A redução do quadro é impulsionada também pela desativação de agências físicas; 127 pontos já foram encerrados, com o objetivo final de atingir mil unidades fechadas.

Internamente, a liderança da estatal trabalha para equalizar as demandas do governo, dos colaboradores e do público geral. Embora conte com o respaldo do Poder Executivo, a diretoria enfrenta o desafio de legitimar a reestruturação junto ao corpo funcional, defendendo que, apesar de ser um caminho difícil, as medidas são fundamentais para assegurar a viabilidade da companhia.