'Não é de hoje'

Em entrevista, Alfredo Gaspar diz que Lulinha está sendo ‘blindado’ da CPMI do INSS

Para o relator, mobilização de partidos aliados impede apuração isenta sobre repasses financeiros e viagens suspeitas

acessibilidade:
Deputado federal Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado).

Em declarações dadas nesta quarta-feira (4), o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), responsável pela relatoria da CPMI do INSS, acusou a gestão federal de obstruir a convocação de figuras centrais para o colegiado. Entre os nomes mencionados pelo parlamentar está o filho do presidente Lula, o empresário conhecido como Lulinha, que é alvo de interesse da comissão que apura irregularidades em pagamentos de pensões e aposentadorias.

Conforme destacou o relator em entrevista concedida ao portal Poder360, a resistência do Planalto em permitir certos depoimentos tem sido uma constante.

“O governo já vem blindando personagens e não é de hoje. Mobiliza a base e partidos aliados. Precisamos mostrar ao público que estamos isentos dessas relações promíscuas. Não é o que o PT tem demonstrado com os partidos coligados. Espero que a palavra do presidente de que não haverá mais blindagem seja verdadeira”, afirmou Gaspar.

O congressista relembrou fatos trazidos a público pelo Poder360 em dezembro de 2025, indicando que o filho do mandatário teria recebido valores mensais de R$ 300 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O veículo também expôs a ligação de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger, detalhando que ambos realizaram pelo menos seis viagens internacionais em conjunto, incluindo um destino em Portugal.

Além dos familiares e da própria Roberta Luchsinger, Gaspar afirmou que a proteção governista se estendeu à publicitária Daniela Fonteles e a executivos de instituições bancárias. O deputado mencionou que tentativas de ouvir representantes do PicPay, Crefisa, Santander e C6 Bank foram barradas, classificando tais empresas como recordistas em queixas relacionadas ao crédito consignado.

Na visão do relator, os parlamentares favoráveis ao governo agem de forma coordenada, unindo forças contra quebras de sigilo ou convites para depoimentos conforme seus interesses particulares. Diante desse cenário, o deputado garantiu: “Vou insistir que temos que fazer uma investigação sem bandido de estimação, que a sociedade brasileira possa acreditar”.

Alfredo Gaspar detalhou que a blindagem ocorre sob diversos formatos no Legislativo. Segundo suas observações, há desde congressistas que se ausentam para evitar compromissos políticos até aqueles que seguem rigidamente as orientações das lideranças governistas ou que assumem a defesa direta dos investigados.

“Tem de todo jeito. Congressista que não comparece para não se comprometer, que segue cegamente sem qualquer tipo de contestação a orientação do líder do governo e tem aqueles que fazem questão de ser advogado dos personagens”, finalizou.