Capitão

STM rejeita recurso de Bolsonaro para afastar ministro da Corte

Por unanimidade, Corte Militar manteve participação de brigadeiro em processo que pode resultar na perda do posto de capitão reformado

acessibilidade:
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O Superior Tribunal Militar (STM) rejeitou por unanimidade, nesta quarta-feira (24), um recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que pedia o afastamento do brigadeiro Joseli Parente Camelo do julgamento que poderá decidir sobre a perda de seu posto e patente militar.

A ação tramita na Justiça Militar após a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e analisa exclusivamente os efeitos da sentença sobre sua condição de militar da reserva.

A defesa do ex-presidente buscava reverter uma decisão da presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, que já havia negado o pedido de suspeição do magistrado. Os advogados alegaram que Camelo teria feito manifestações públicas sobre a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que comprometeria sua imparcialidade.

Ao votar pela rejeição, Maria Elizabeth afirmou que a defesa repetiu argumentos já analisados, sem apresentar fatos novos. Segundo a magistrada, as declarações atribuídas a Camelo foram genéricas, sem referência direta a Bolsonaro ou ao processo em questão.

A presidente do STM também destacou que as manifestações citadas apenas reproduzem entendimento jurídico consolidado de que eventuais punições dependem do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. O julgamento não reavalia a condenação criminal imposta pelo STF nem a pena aplicada ao ex-presidente.

A análise está restrita à Bolsonaro ser indigno ou incompatível com o oficialato.

Pela legislação, oficiais condenados a mais de dois anos de prisão podem ser submetidos a procedimento específico para avaliar sua permanência nos quadros. Caso o STM conclua pela incompatibilidade, Bolsonaro poderá perder o posto de capitão reformado.