PCDF pede ao STF para ouvir Bolsonaro sobre arma apreendida
Polícia Civil quer tomar depoimento do ex-presidente por videoconferência após tentativa frustrada de intimação presencial
A Polícia Civil do Distrito Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito que investiga a apreensão de uma arma registrada em seu nome e encontrada com um ex-integrante do Gabinete de Segurança Institucional durante blitz.
Em ofício enviado ao STF nesta quinta-feira (18), a corporação pediu que Bolsonaro preste depoimento por videoconferência na próxima quarta-feira (24), às 15h. Segundo a PCDF, uma tentativa de intimação não pôde ser concluída porque a equipe de escolta do ex-presidente impediu o procedimento.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária em razão de tratamento médico para um quadro de broncopneumonia. Diante da impossibilidade de notificá-lo pessoalmente, a polícia pediu que Moraes autorize a audiência virtual e determine a intimação formal.
O ex-presidente foi convocado a prestar esclarecimentos na condição de “envolvido”.
O caso teve início após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros. O militar que portava a arma afirmou que o armamento estava sendo levado para manutenção.
Em manifestação apresentada ao STF, a defesa de Bolsonaro confirmou que a pistola pertence ao ex-presidente. Os advogados afirmam que integrantes de sua equipe de segurança retiraram o percussor da arma — peça necessária para o disparo — sem seu conhecimento, por precaução relacionada ao uso de medicamentos psiquiátricos.
Segundo a defesa, após identificar uma falha no funcionamento da pistola, Bolsonaro entregou o armamento ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho para verificar o problema e providenciar o reparo. Paralelamente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou pedido no STF para que a prisão domiciliar do ex-presidente seja revogada e substituída por recolhimento no Complexo Penitenciário da Papuda.
O parlamentar argumenta que as circunstâncias apresentadas pela defesa no caso da arma devem ser consideradas pela Corte ao avaliar a manutenção do benefício.