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‘Não dá para criar dez Brasis para pagar a conta’, diz Alcolumbre

Presidente do Senado diz que pressão eleitoral dificulta debate sobre projetos que ampliam gastos públicos e afetam estados e municípios

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Senador Davi Alcolumbre (União-AP) - (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez um alerta nesta terça-feira (9) sobre o avanço de propostas com potencial impacto nas contas públicas e justificou sua resistência em pautar matérias que criem novas despesas permanentes para a União, estados e municípios.

Em discurso no plenário, Alcolumbre afirmou que há uma extensa fila de projetos que preveem a criação de pisos salariais e aposentadorias especiais para diferentes categorias.

Entre os grupos beneficiados por propostas em tramitação estão fisioterapeutas, dentistas, técnicos de enfermagem, garis, profissionais da educação, médicos-veterinários e agentes comunitários de saúde. Segundo o presidente da Casa, o período pré-eleitoral torna a discussão ainda mais delicada, já que parlamentares tendem a apoiar medidas populares independentemente dos impactos financeiros.

“Todo mundo vai votar ‘sim’, e vai ter que arrumar ‘dez Brasis’ para pagar”, afirmou.

O senador ressaltou que reconhece a importância das categorias contempladas, mas questionou se o país possui capacidade para absorver os custos decorrentes.

Embora não tenha citado diretamente a proposta que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1, defendida pelo governo federal, Alcolumbre sinalizou preocupação com matérias que geram efeitos econômicos amplos. O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda deliberação do Senado.

Durante o pronunciamento, o presidente da Casa afirmou que tem sido pressionado por colegas parlamentares a pautar diferentes iniciativas, mas argumentou que precisa considerar a sustentabilidade fiscal antes de levar os textos à votação.

Apesar do discurso de cautela, a CCJ aprovou nesta quarta-feira (10) uma proposta que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. O texto agora integra a lista de matérias que aguardam análise do plenário do Senado.

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