Caso da Glock

Bolsonaro depõe sobre arma apreendida e reforça versão apresentada ao STF

Ex-presidente afirmou que pediu a verificação de uma falha na pistola registrada em seu nome; depoimento ocorre ao fim da domiciliar

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Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na tarde desta terça-feira (23) no inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em seu nome durante uma blitz realizada em Brasília.

A oitiva ocorreu de forma presencial na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária. O delegado responsável pelo caso e agentes da corporação permaneceram no local por cerca de 40 minutos.

O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou o depoimento.

Segundo a defesa, Bolsonaro reafirmou a versão já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF): ao perceber uma falha no funcionamento da pistola Glock calibre 9 mm, pediu auxílio a um militar que integra sua equipe de segurança para verificar o problema.

O ex-presidente também afirmou que não autorizou o transporte da arma para conserto.

A arma foi apreendida durante uma blitz da PMDF no último dia 15. O armamento estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e responsável pela segurança do ex-presidente.

Embora o registro da pistola estivesse regular, o armamento foi recolhido porque não estava acompanhado do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf).

O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal e acompanhado pelo STF. Investigadores avaliam se a ocorrência configura apenas uma infração administrativa relacionada à documentação da arma ou eventual violação do Estatuto do Desarmamento.

O depoimento foi realizado um dia antes do término do prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida foi autorizada para que Bolsonaro se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.

Em manifestação enviada ao STF, a defesa sustentou que a equipe de segurança tornou a arma inoperante ao retirar o percussor, sem conhecimento prévio do ex-presidente, por receio de riscos relacionados ao uso de medicamentos psiquiátricos durante seu tratamento médico. Após constatar a falha, Bolsonaro teria solicitado que o militar verificasse o defeito e providenciasse a manutenção do equipamento, segundo a defesa.