UVA AMEAÇADA

Tarifaço dos EUA coloca uva brasileira no centro da pressão comercial

Fora da lista de isenções, fruta pode enfrentar aumento de custos e perder espaço no mercado americano

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Foto: Emater-DF/Divulgação

A uva brasileira deve ser uma das frutas mais afetadas pelo novo tarifaço comercial imposto pelos Estados Unidos a produtos do Brasil.

Fora da lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, o produto poderá passar a ter uma tributação total de 35% para entrar no mercado dos EUA, reduzindo a competitividade dos exportadores nacionais. 

A cobrança adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos se soma às tarifas já existentes sobre a fruta.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o impacto deve atingir toda a cadeia produtiva da uva, desde os produtores até as empresas responsáveis pela comercialização internacional. 

O setor de frutas brasileiro conseguiu manter diversos produtos fora da nova tarifa, incluindo itens como café, carne bovina, suco de laranja e algumas frutas tropicais.

A uva, porém, permaneceu entre os produtos sem isenção, sendo apontada como um dos principais pontos de preocupação para os exportadores. 

Dados do comércio exterior mostram a relevância do mercado norte-americano para a produção brasileira.

No ano passado, o Brasil enviou cerca de 14 mil toneladas de uvas aos Estados Unidos, movimentando aproximadamente US$41,5 milhões em exportações. 

A avaliação do setor é que a nova tarifa pode dificultar a disputa dos produtores brasileiros com outros fornecedores internacionais, especialmente em um mercado considerado estratégico para as vendas externas da fruta.

A elevação dos custos de entrada pode afetar contratos e reduzir a atratividade do produto nacional para compradores americanos. 

Além da uva, outras frutas também serão atingidas pelas novas regras comerciais, como melão e melancia, mas com impacto considerado menor devido ao perfil das exportações desses produtos para os Estados Unidos. 

A produção brasileira de uvas para exportação está concentrada principalmente em regiões com forte atividade agrícola e depende de mercados externos para ampliar seus negócios.

Com a mudança tarifária, entidades do setor passaram a orientar produtores e exportadores sobre medidas para reduzir possíveis prejuízos.

Entre as estratégias avaliadas estão a busca por novos compradores internacionais e a diversificação dos destinos comerciais.

O objetivo é diminuir a dependência do mercado norte-americano e manter o escoamento da produção brasileira. 

O cenário também ocorre em meio a uma revisão da política comercial dos Estados Unidos, que ampliou a lista de produtos brasileiros livres da tarifa adicional, mas manteve a cobrança sobre determinados itens agrícolas considerados fora das exceções. 

Para o setor de hortifrútis, a definição final dos códigos tarifários ainda será acompanhada de perto por produtores e exportadores, já que detalhes técnicos podem determinar a aplicação das novas regras sobre diferentes produtos. 

A medida entra em vigor dentro do cronograma estabelecido pelo governo americano e coloca a uva entre os principais produtos agrícolas brasileiros que precisarão enfrentar um novo cenário de comércio internacional.