Tarifaço

Governo dos EUA isenta cafés e carnes de novas tarifas

A decisão representa um alívio para alguns dos principais setores exportadores do agronegócio nacional

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A carne brasileira é um dos principais itens da pauta de exportações. Foto: Divulgação Ministério da Agricultura

O governo dos Estados Unidos anunciou na noite desta quarta-feira (16) a aplicação das tarifas de 25% a produtos brasileiros. Entretanto, as importações de cafés e carnes estão fora da nova medida.

A decisão consta da lista de exceções divulgada pela Casa Branca e representa um alívio para alguns dos principais setores exportadores do agronegócio nacional.

Durante as audiências públicas promovidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), entidades como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) optaram por não participar das discussões, diante da avaliação de que as carnes brasileiras não seriam incluídas entre os produtos tarifados.

A exclusão das carnes segue uma lógica econômica, uma vez que os Estados Unidos dependem das importações brasileiras para complementar a oferta doméstica, especialmente de carne bovina destinada ao processamento, diz o analista de mercado Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado.

No caso do café, a decisão também atende a um pleito da indústria americana.

Em comunicados oficiais e durante a audiência pública promovida pelo USTR entre 6 e 7 de julho, a NCA (National Coffee Association) argumentou ao governo dos Estados Unidos que a taxação elevaria os custos para torrefadoras, varejistas e consumidores, já que o país depende das importações para abastecer seu mercado e o Brasil é seu principal fornecedor de café.

A entidade defendeu que o grão brasileiro não possui substituto em volume e qualidade suficientes no curto prazo, incluindo o solúvel. Ano passado, o café verde foi incluído na lista de exceções, diferente do cenário do café solúvel, sob o qual incide uma tarifa temporária global de 10% — prevista até dia 24 de julho deste ano.

Antes do tarifaço, o café brasileiro tinha os EUA como o principal destino, mas perderam espaço justamente pela aplicação de tarifas.