Tarifaço

‘Brasil vai usar reciprocidade quando for necessário’, diz ministro de Lula

As tarifas impostas a produtos brasileiros entram em vigor hoje

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Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC - (Foto: Júlio César Silva/MDIC).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil adotará a medida de reciprocidade contra o tarifaço de 25% dos Estados Unidos (EUA) “quando for necessário”.

Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o ministro detalhou os movimentos adotados pelo governo federal para negociar com o governo de Donald Trump.

As tarifas impostas a produtos brasileiros entram em vigor hoje.

“Gosto de dizer que, se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque, senão, você perde o controle, o domínio da negociação.” “O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, disse o ministro.

A Lei de Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada no início de 2025. A legislação prevê medidas que o Brasil pode tomar caso um país parceiro tome medidas que prejudiquem as exportações brasileiras sem uma justificativa plausível.

Os produtos afetados somam US$ 7,4 bilhões — cerca de R$ 37,6 bilhões, com base na taxa de câmbio de referência do Banco Central (BC) desta terça-feira (21).

Entre os itens atingidos estão etanol, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, calçados, roupas, papel, açúcar orgânico e produtos químicos. Mais de 2 mil códigos tarifários ficaram fora da sobretaxa, incluindo carne bovina, café, cacau, petróleo, gás natural, medicamentos, aeronaves civis e alguns minérios.

O ministro chegou a dizer que o governo brasileiro chegou a negociar com os EUA em 30 encontros, que não foram favoráveis para evitar a medida de Trump.

Somente em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somam US$ 38 bilhões, conforme informação do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Laudimir Muller.