Doença, cirurgia e arma apreendida

Bolsonaro completa 90 dias em prisão domiciliar

O prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) termina hoje; ex-presidente espera por nova manutenção do direito

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Ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Arquivo/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil).

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa nesta quinta-feira (25) os seus 90 dias de prisão domiciliar humanitária, concedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em cumprimento de sua pena por suposta tentativa de golpe.

Referente a este período, o líder da direita enfrentou uma série de fatos atrelados ao seu nome, desde os cuidados de sua saúde até o mais recente, a apreensão de uma arma de fogo, que gerou questionamentos em relação à manutenção do direito.

Como acompanhou o Diário do Poder, ainda no começo do ano, Bolsonaro cumpria pena no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, com direito a visita de aliados políticos e de seus familiares.

Enfrentando uma série de comorbidades desde o atentado sofrido em 2018, o ex-presidente foi acometido de uma broncopneumonia em março e teve de ser internado na UTI do hospital DF Star, onde ficou 14 dias.

Segundo a própria equipe médica que cuida de Bolsonaro, essa foi a vez em que ele ficou em estado grave e precisou de mais cuidados especiais.

No dia 27 de março, o ministro resolveu decretar a ida de Bolsonaro para casa, após um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) em conceder o direito.

Ele foi levado então para sua casa, no Condomínio Solar de Brasília, área do Distrito Federal, próximo ao Plano Piloto.

Cirurgia no ombro

Apenas três semanas depois, tendo de fazer o tratamento intensivo com antibióticos, Bolsonaro precisou fazer uma nova cirurgia, desta vez, uma artroscopia em seu ombro direito.

O procedimento, considerado não grave, foi realizado com sucesso. Contando, este foi o seu 10º procedimento cirúrgico desde a facada recebida antes mesmo de seu mandato como presidente da República.

Crises de soluço

Mesmo após várias realizações de cirurgias referentes à obstrução intestinal, Bolsonaro ficou acometido de crise de soluço, que o leva a fortes crises de vômito.

Segundo Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente, e seu filho Carlos Bolsonaro, as crises acontecem com grande frequência.

Arma apreendida

A poucas semanas de finalizar sua domiciliar, um novo fato estremeceu a possível permanência do ex-chefe do Executivo em casa. Um membro das Forças Armadas que cuida da segurança pessoal de Bolsonaro foi encontrado com uma arma, de posse do líder da direita, em uma blitz em Taguatinga-DF.

Moares pediu então para que a defesa se manifestasse a respeito do utensílio estar com Bolsonaro em sua residência, uma vez que ele tem de cumprir uma série de medidas cautelares.

Segundo a defesa, a arma era de posse do ex-presidente, devidamente registrada, e que, desde que iniciou sua pena, não recebeu nenhuma ordem judicial para que fosse devolvido o armamento.

Segundo Moraes, a medida significa uma “falta grave” referente ao cumprimento de domiciliar e deve rever a decisão de deixar Bolsonaro em casa. O ministro pediu um parecer da defesa e da PGR referente ao caso.

O ministro deve decidir nos próximos dias, após uma nova diligência do STF, se vai deixar ou não Bolsonaro em prisão domiciliar. A expectativa de aliados e familiares é de que o ministro determine o novo prazo com validade para o direito, assim como na primeira concessão (90 dias).

Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por suposta tentativa de golpe após as eleições presidenciais de 2022.