Presidente interino do Senado diz que Renan ‘contamina e vicia’ CPI
Rodrigo Cunha defende que CPI não tenha presença do senador
O presidente interino do Senado, Rodrigo Cunha (Podemos- AL), afirmou nesta segunda-feira (04), durante coletiva de imprensa, que o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Braskem tem “vícios” por ter sido apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Além disso, defendeu que a comissão de inquérito seja instalada sem a presença do senador Calheiros.
“A CPI pode e deve ir para frente sem a figura que vicia e contamina todo o processo investigatório”, disse em entrevista a jornalistas no Senado. Segundo ele, “a figura entre o investigado e o investigador se confunde nesse meio da propositura da CPI e dos reais objetivos”.
Dentre os “vícios” da abertura da CPI mencionados pelo senador, estão o Renan Calheiros ter presídio, de 1993 e 1994, a empresa Salgema, nome antigo de uma das empresas que deram origem à Braskem. E também mencionou que o filho do senador e atual ministro dos Transportes, Renan Filho, foi governador de Alagoas de 2015 a 2022.
“Durante todo esse período houve uma licença ambiental sendo renovada constantemente pelo Estado de Alagoas e o governador do Estado, à época, era o Renan Filho, que é senador e hoje ministro dos Transportes, e filho do Renan Calheiros, que é propositor desta ação”, disse Rodrigo Cunha.
No último domingo (03), Renan Calheiros apelou para que a Braskem libere todos os documentos relacionados à exploração de minérios em Alagoas. O ministro Renan Filho também defende a instalação da CPI no Senado.
O pedido de abertura da CPI foi lido no dia 24 de outubro, mas os líderes partidários ainda não indicaram os integrantes do colegiado e, por isso, a CPI ainda não foi instalada. Cunha afirma que ainda não há assinaturas de indicações por uma confusão que pode haver. “Por que não assinaram as indicações? Exatamente por isso, porque sabem que não vai dar certo. Ninguém vai saber quem é investigado e quem é o investigador”, ressalta o presidente interino.
Cunha afirma que irá compor a Comissão caso seja instalada e defendeu a responsabilização de quem errou por se omitir na fiscalização no cenário caótico de Maceió. “A minha participação já está confirmada na CPI, sou favorável ao funcionamento da CPI, dos instrumentos de fiscalização, mas não posso fechar os olhos sobre o que vejo nos corredores do Senado e dos reais motivos para tentar fazer com que essa Casa fique mais uma vez a serviço de quem quer seja”, disse.