Sob pressão de investigações, Lula e Wagner reafirmam aliança em agenda na Bahia
Senador foi retirado da posição de líder do governo no Senado após ligação com Vorcaro ser exposta pela PF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) participarão juntos, nesta semana, de compromissos oficiais na Bahia durante as festividades do 2 de Julho, data que celebra a Independência do estado.
O encontro marca o primeiro ato conjunto desde que Wagner e sua família foram alvo de uma operação da Polícia Federal vinculada às investigações do caso Master, de Daniel Vorcaro.
Aliados do senador chegam a classificar um possível afastamento como uma atitude que equivaleria a “negar uma amizade de quase cinco décadas”, relação que remonta a 1978, quando ambos iniciaram suas trajetórias políticas no movimento sindical e no PT.
Embora a amizade e a lealdade partidária sejam compreensíveis no âmbito privado, a exposição de um chefe de Estado ao lado de um parlamentar sob suspeita da PF pode ser interpretada como um sinal de que laços afetivos prevalecem sobre a necessidade de distanciamento institucional, algo que, na visão de defensores da moralidade administrativa, enfraquece a credibilidade das instituições.
Agenda presidencial combina obras e simbolismo político
Lula desembarca na Bahia nesta terça-feira (30) com uma série de compromissos oficiais.
A programação inclui a entrega de veículos do Ministério da Saúde em Alagoinhas, visita ao Hospital Regional da cidade, o lançamento de uma etapa da Ponte Salvador–Itaparica e a reabertura da Sala Principal do Teatro Castro Alves, em Salvador.
O presidente, entretanto, não acompanhará o tradicional cortejo do 2 de Julho. A justificativa, apresentada por Jaques Wagner, é uma recomendação médica: após passar por procedimentos preventivos contra câncer de pele no couro cabeludo, Lula foi orientado a evitar exposição prolongada ao sol, calor intenso, suor e grandes aglomerações, o que, levanta o questionamento sobre a conveniência de se preservar a imagem presidencial em meio a um contexto politicamente delicado.
Após a passagem pela Bahia, a agenda de Lula segue para o Ceará, onde o presidente estará ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE) e do governador Elmano Freitas (PT), reforçando a presença petista no Nordeste, região que concentra a base eleitoral mais expressiva do partido.