Camaradagem

Sob pressão de investigações, Lula e Wagner reafirmam aliança em agenda na Bahia

Senador foi retirado da posição de líder do governo no Senado após ligação com Vorcaro ser exposta pela PF

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Senador Jaques Wagner ser alvo da PF, desgasta retórica do governo do Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) participarão juntos, nesta semana, de compromissos oficiais na Bahia durante as festividades do 2 de Julho, data que celebra a Independência do estado. 

O encontro marca o primeiro ato conjunto desde que Wagner e sua família foram alvo de uma operação da Polícia Federal vinculada às investigações do caso Master, de Daniel Vorcaro. 

Aliados do senador chegam a classificar um possível afastamento como uma atitude que equivaleria a “negar uma amizade de quase cinco décadas”, relação que remonta a 1978, quando ambos iniciaram suas trajetórias políticas no movimento sindical e no PT. 

Embora a amizade e a lealdade partidária sejam compreensíveis no âmbito privado, a exposição de um chefe de Estado ao lado de um parlamentar sob suspeita da PF pode ser interpretada como um sinal de que laços afetivos prevalecem sobre a necessidade de distanciamento institucional, algo que, na visão de defensores da moralidade administrativa, enfraquece a credibilidade das instituições. 

Agenda presidencial combina obras e simbolismo político 

Lula desembarca na Bahia nesta terça-feira (30) com uma série de compromissos oficiais.  

A programação inclui a entrega de veículos do Ministério da Saúde em Alagoinhas, visita ao Hospital Regional da cidade, o lançamento de uma etapa da Ponte Salvador–Itaparica e a reabertura da Sala Principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. 

O presidente, entretanto, não acompanhará o tradicional cortejo do 2 de Julho. A justificativa, apresentada por Jaques Wagner, é uma recomendação médica: após passar por procedimentos preventivos contra câncer de pele no couro cabeludo, Lula foi orientado a evitar exposição prolongada ao sol, calor intenso, suor e grandes aglomerações, o que, levanta o questionamento sobre a conveniência de se preservar a imagem presidencial em meio a um contexto politicamente delicado. 

Após a passagem pela Bahia, a agenda de Lula segue para o Ceará, onde o presidente estará ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE) e do governador Elmano Freitas (PT), reforçando a presença petista no Nordeste, região que concentra a base eleitoral mais expressiva do partido.