Senadora cobra governo Lula após alerta falso expor risco de vazamento de dados
Disparo indevido acende alerta sobre fragilidade da proteção de dados federais e risco de fraudes em cascata
O disparo irregular de um “Alerta Extremo” da Defesa Civil para milhões de celulares na madrugada do último dia 20, colocou o governo Lula (PT) na mira do Senado Federal. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou três requerimentos cobrando explicações da Esplanada dos Ministérios sobre a vulnerabilidade da plataforma federal.
O principal temor é que bases de dados com números de telefone de cidadãos tenham sido invadidas, abrindo caminho para a aplicação de golpes financeiros e fraudes em larga escala. As cobranças miram os ministros Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública).
O caso veio à tona quando os aparelhos foram acionados por um alarme sonoro reservado a emergências de risco iminente. A mensagem, contudo, não indicava nenhum desastre e trazia apenas a palavra “misantropi4”.
No detalhamento das cobranças, a parlamentar brasiliense questiona se o funcionamento do sistema depende do uso de cadastros pessoais de telefone, o que, na prática, expõe dados sigilosos da população a eventuais brechas de segurança.
A senadora exige saber se o Ministério das Comunicações já detectou “aumento de tentativas de golpes, fraudes, campanhas de desinformação ou utilização indevida do episódio para enganar usuários dos serviços de telecomunicações”. A preocupação é legítima: uma vez que milhões de números tenham sido comprometidos, a população fica vulnerável a ações de criminosos que podem se passar por órgãos públicos para aplicar golpes.
Para dimensionar a gravidade do incidente, o requerimento endereçado ao Ministério da Integração adverte que o episódio pode ir além do vazamento de dados e ameaça à segurança física da população.
“Qualquer comprometimento da credibilidade do sistema possui potencial para reduzir a confiança da sociedade justamente quando o mecanismo vier a ser utilizado em situações reais de emergência, circunstância que pode comprometer a efetividade das ações de proteção e defesa civil e, em última análise, colocar vidas em risco”, alerta Damares.
A infraestrutura tecnológica do país também está sob cerco parlamentar. O Legislativo cobra da Polícia Federal informações sobre a linha investigativa em curso, exigindo saber se houve ataque cibernético coordenado, comprometimento de credenciais ou a simples exploração de uma vulnerabilidade ignorada pelo Executivo.
O texto endereçado ao Ministério da Justiça aponta ainda que o uso de “misantropia“(aversão à humanidade) pode indicar a ação de extremistas ou grupos cibercriminosos com o propósito de provocar “temor coletivo, descrédito nas instituições públicas ou perturbação da ordem social”.