Projeto DV

PF identifica 40 perfis em investigação sobre ataques coordenados ao Banco Central

Operação Compliance Zero apura contratação de influenciadores para disseminar narrativas em defesa do Banco Master; publicitário confirma negociações

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Daniel Vorcaro

A Polícia Federal deflagrou, na última quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de atuação coordenada em redes sociais com o objetivo de comprometer a credibilidade do Banco Central (BC).  

A PF identificou ao menos 40 perfis que publicaram conteúdos críticos à instituição monetária, segundo apuração da CNN Brasil. 

As investigações apontam para a contratação de influenciadores digitais e páginas na internet para disseminar narrativas favoráveis ao Banco Master, liquidado pelo BC em novembro do ano passado, e contrárias ao órgão regulador.  

O publicitário Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, é apontado como figura central nesse braço da investigação, sendo responsável pela contratação dos perfis. 

A PF abriu inquérito no início deste ano para apurar a atuação de Thiago Miranda no chamado “Projeto DV”, cujas iniciais fazem referência a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do extinto Banco Master.  

Segundo as investigações, foram contratados perfis de fofoca, páginas de nutrição e outros canais que não tinham qualquer relação com o mercado financeiro para atacar adversários de Vorcaro e descredibilizar o Banco Central. 

A PF teria chegado a essas informações após encontrar mensagens entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda no celular do ex-banqueiro. 

Defesa de Miranda 

Em depoimento à Polícia Federal, Thiago Miranda confirmou ter contratado os perfis, mas afirmou que a iniciativa não tinha como objetivo atacar instituições.  

Segundo ele, tratava-se de um plano de gestão de crise elaborado após a liquidação do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro.  

Miranda teria apresentado o plano a Vorcaro logo após o ex-banqueiro ser solto. Os valores envolvidos nas contratações chegariam, segundo ele, a R$ 8 milhões.  

Com base em uma linha do tempo que vai de 9 de dezembro do ano passado a 6 de janeiro deste ano, a Polícia Federal identificou pelo menos 40 páginas na internet que compartilhavam o mesmo discurso, a mesma narrativa e as mesmas publicações.  

Os conteúdos criticavam o Banco Central, defendiam Daniel Vorcaro e retratavam o Banco Master como vítima do sistema financeiro, alegando que o BC e o governo brasileiro estariam agindo contra a sociedade. 

Segundo o inquérito, chama atenção o fato de que entre os 40 perfis identificados havia páginas de fofoca e de nutrição que jamais haviam publicado qualquer conteúdo relacionado a bancos ou economia.  

Depoimentos de representantes dessas páginas confirmaram à PF que houve negociação e contratação por parte de Thiago Miranda e de um outro empresário de Brasília que também está sendo investigado. 

O caso segue em apuração no âmbito da Justiça Federal.