8 de Janeiro

PF diz que casa alugada pelo PL seria ‘QG do golpe’

O grupo conhecido como núcleo jurídico da organização criminosa utilizou uma casa alugada pelo PL em Brasília, apelidada de “QG do Golpe”

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Não foi divulgada a identidade do chefe da organização, mas foi confirmado na investigação que ele é parlamentar (Foto: Reprodução/PF)

A Polícia Federal (PF) segue investigando o uso da infraestrutura do Partido Liberal (PL), liderado por Valdemar Costa Neto, na criação de uma possível minuta golpista e disseminação de notícias falsas relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro.

As  informações foram documentadas no relatório que embasou a operação realizada nesta quinta-feira (8), contra militares e assessores do ex-presidente. 

De acordo com a PF, o progresso das investigações revelou que o PL foi utilizado para “financiar a estrutura de apoio as narrativas que alegavam supostas fraudes às urnas eletrônicas”  com o objetivo de legitimar as manifestações que aconteciam em frente aos quartéis militares. 

Também foi alegado que, limitar o poder do Poder Judiciário, impedir a posse do presidente Lula (PT) e executar um golpe de Estado, assegurando a permanência de Bolsonaro no cargo era a intenção das supostas ações.

O grupo conhecido como núcleo jurídico da organização criminosa utilizou uma casa alugada pelo PL em Brasília, apelidada de “QG do Golpe”. Esse imóvel também serviu como Comitê de Campanha da legenda durante as eleições de 2022. 

Conforme apontado pela PF, o papel do grupo era elaborar minutas jurídicas que atendessem aos interesses dos investigados com inclinações golpistas. Entre os membros que compõem o grupo estão o advogado Amauri Saad e o ex-assessor da Presidência, Filipe Martins, que foi preso na operação desta quinta. 

O padre José Eduardo de Oliveira e Silva também é um dos investigados. Ele solicitou pelo menos cinco viagens por aplicativo até o imóvel utilizado pelo Partido Liberal (PL). Além disso, o padre esteve presente na reunião com Filipe Martins, onde apresentaram uma minuta golpista a Jair Bolsonaro.

“As reiteradas idas do investigado a residência alugada pelo partido e o vínculo comprovado com Filipe Martins demonstram a intrínseca relação entre o núcleo jurídico da organização criminosa e o Partido Liberal”, diz a representação. 

A Polícia Federal também destaca a contratação do Instituto Voto Legal, que foi financiada diretamente pelo fundo partidário. Segundo apontado, o instituto elaborou um estudo que levou o PL a contestar o resultado das urnas após o segundo turno.

Os investigadores concluíram que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tinha “plena ciência da interlocução e do alinhamento que os investigados desenvolveram na construção da narrativa de fraude às urnas eletrônicas”.