'Aliados' de olho

Ministro de Lula, Luiz Marinho sugere afastamento de Jaques Wagner

Chefe da pasta do Trabalho afirma que afastamento permitiria ao senador se dedicar às investigações

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Ministro do Trabalho, Luiz Marinho (Foto: Renato Araujo/AG Câmara)

Em meio às investigações que envolvem o Banco Master e respingam no núcleo político do governo, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu nesta quarta-feira (24) que o senador Jaques Wagner (PT) deixe a liderança do governo no Senado para poder se dedicar integralmente à sua defesa. 

Marinho afirmou que tem respeito e apreço pelo colega de partido, mas afirmou que, em determinadas circunstâncias, pode ser mais adequado que uma pessoa se afaste de suas funções estratégicas para enfrentar acusações com mais tranquilidade.

 “Tem momentos em que, às vezes, a pessoa tem que deixar sua posição para se defender, ter mais condições de atuar, do que ficar ali na posição que está exercendo”, declarou durante a divulgação da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Mensal, em Brasília. 

Ele ressaltou, no entanto, que se trata de uma avaliação pessoal, e não de uma orientação oficial do governo.

O ministro também mencionou episódios semelhantes ocorridos em 2018, nos quais, segundo ele, suspeitas contra Wagner não se confirmaram, e manifestou torcida para que as apurações atuais não apontem irregularidades envolvendo o senador. 

“Torço para que de fato não tenha absolutamente nada em relação ao Wagner”, afirmou. 

Para reforçar a defesa do aliado, Marinho citou uma manifestação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que teria dito que Wagner não atuou em favor do Banco Master no Congresso, contrariando as acusações de que o senador teria usado sua influência para beneficiar a instituição financeira. 

De acordo com Marinho, Haddad, que participou diretamente dos debates sobre o tema, seria uma das pessoas mais qualificadas para atestar esse posicionamento. 

Integrantes do governo avaliam que a permanência de Wagner no cargo pode gerar desgastes políticos, especialmente com a aproximação da campanha eleitoral, mas também ponderam que uma eventual saída pode ser interpretada como um reconhecimento implícito da gravidade das acusações. 

O senador tem reunião agendada com o presidente Lula ainda nesta quarta-feira, no Palácio da Alvorada, para discutir os rumos da liderança no Senado e os efeitos políticos das investigações sobre a base aliada.

 O encontro é aguardado com atenção por aliados e oposição, que veem na decisão um termômetro da estratégia do governo para lidar com o caso nos próximos meses.