Escândalo

Carlos Bolsonaro diz que Lula não apaga parceria com Jaques Wagner

Vereador critica apoio público ao petista investigado por corrupção

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Vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). (Foto: Renan Olaz/CMRJ).

O vereador Carlos Bolsonaro (PL) manifestou-se publicamente contra o apoio declarado do presidente Lula (PT) ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que recentemente deixou a liderança do governo no Senado e é alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura supostos ilícitos envolvendo o Banco Master. 

A manifestação ocorreu após o senador afirmar, na quarta-feira (1), que a relação com Lula permanece “firme” mesmo com sua saída do cargo de líder do governo. 

Em publicação na plataforma X, Carlos Bolsonaro questionou a declaração: “Jaques sai da liderança, mas avisa: ‘estamos firmes’. Firmes em quê?” 

Em seguida, o vereador destacou a posição do senador na estrutura do governo e a concomitância com as apurações em curso: “Amigo de Lula, peça central do governo e agora alvo da PF no caso Banco Master. Quando o escândalo aperta, o PT tenta trocar o cargo. Mas não consegue apagar a parceria.” 

Agenda conjunta em Alagoinhas 

O pronunciamento de Carlos Bolsonaro ocorreu um dia após o presidente Lula e Jaques Wagner dividirem o mesmo palanque em Alagoinhas (BA), a primeira aparição pública conjunta desde que o senador deixou a liderança no Senado. 

Durante o evento, Lula referiu-se ao aliado como “irmão” e ressaltou que a relação entre ambos se estende por décadas, indo além da atuação institucional. 

O presidente também cumprimentou outras lideranças petistas presentes, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.  

O gesto foi interpretado por aliados como um sinal de respaldo ao senador quando as investigações avançam.  

Segundo apuração da CNN, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que tentar ocultar a parceria histórica entre os dois seria contraproducente. 

Internamente, entretanto, o avanço das apurações tem gerado desgaste na base governista. 

Saída da liderança e contexto investigativo 

Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado em 24 de junho, após reunião com Lula no Palácio do Planalto.  

A função foi assumida interinamente pela senadora Teresa Leitão (PT-PE). Nos bastidores, a mudança foi interpretada como uma tentativa de reduzir os efeitos políticos das investigações que envolvem o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero. 

A Polícia Federal apura suspeitas de repasses de recursos ligados à instituição financeira.  

Jaques Wagner nega a prática de qualquer irregularidade e reitera sua disposição de colaborar com as apurações.