Wagner confirma candidatura e diz que segue líder do governo
Parlamentar citou que Lula teve problemas piores com a Justiça
O senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, afirmou que continua como líder do governo no Senado, até que o presidente Lula (PT), decida.
“Eu continuo na liderança, até que o presidente Lula peça, para eu me retirar, mas lógico que ele não vai fazer isso”, afirmou em entrevista à Bandnews TV.
O senador afirmou que conversou com o petista após ser alvo:
“Eu falei com ele hoje, ele vai manter. Até porque, repare, isso, por enquanto, é uma investigação, como foi a investigação de 2018 sobre a Fonte Nova. Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou no celular ou em alguma delação de alguém que eu desconheço quem foi, e vieram conferir comigo. Eu estou absolutamente tranquilo em relação a tudo”, destacou.
O parlamentar citou que Lula teve problemas piores com a Justiça e confirmou que sua pré-candidatura ao Senado continua de pé. Wagner afirmou ainda que o petista prestou solidariedade à ele.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje. E sinceramente, muito difícil que ele tire minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Ele teve o respeito também de me ligar, se solidarizar comigo, ele que já teve problemas até maiores do que esse, como eu tive, foi preso. Minha candidatura está mantida e eu estou sendo eleito de novo senador da Bahia”, ponderou.
Questionado sobre membros do próprio PT quererem a saída do parlamentar do cargo, o senador disparou:
“Fogo amigo sempre aparece, mas eu confio no presidente Lula e não acho que será a decisão dele”.
O Caso
Na 9ª fase da operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta pela Polícia Federal (PF), foram cumpridos 18 mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Além de busca e apreensão, foram cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. São investigados os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
No caso de Wagner, a PF investiga se o senador Wagner teria atuado no exercício do mandato para favorecer pautas de interesse do Banco Master. Entre os pontos citados pelos investigadores estão um projeto de autoria do parlamentar que ampliava o crédito consignado e a chamada “Emenda Master”, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em contrapartida, a Polícia Federal apura a suspeita de que o senador possa ter recebido vantagens indevidas. Uma das linhas de investigação envolve a suposta transferência de um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões por Daniel Vorcaro Lima ao parlamentar.
Além do caso do imóvel, os investigadores também analisam repasses que somam R$ 3,5 milhões destinados à BN Financeira. A empresa pertence a Bonnie Bonilha, nora de Wagner e esposa de Eduardo Martins.