Direita cresce nas Américas, mas desafio agora é conquistar o Congresso
Estudo analisa 24 países e aponta que maioria legislativa é determinante para estabilidade dos governos
Levantamento inédito divulgado pelo Ranking dos Políticos aponta que o avanço de candidaturas de direita e centro-direita nas Américas não garante, por si só, a capacidade de implementar reformas e cumprir promessas de campanha.
Segundo o estudo “Eleições nas Américas 2022-2026”, a formação de uma base sólida no Legislativo passou a ser o principal desafio para os governos eleitos.
A análise ocorre após a eleição de Keiko Fujimori à Presidência do Peru, que reforçou a presença desse campo político no continente. Apesar da vitória nas urnas, a presidente eleita não terá maioria própria no Congresso e dependerá da construção de alianças para aprovar sua agenda.
O levantamento analisou os processos eleitorais de 24 países e concluiu que o cenário político atual é marcado pela disputa por espaço no Congresso.
Segundo a análise, a vitória presidencial deixou de ser suficiente para assegurar estabilidade, já que a capacidade de governar depende diretamente da formação de maiorias parlamentares.
Segundo o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, a força política dos governos passou a depender cada vez mais da capacidade de articulação no Parlamento.
“A eleição presidencial continua sendo importante, mas ela deixou de ser suficiente. Cada vez mais, quem define a capacidade de um governo realizar reformas é a composição do Parlamento e a habilidade de construir coalizões estáveis”, explicou Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos.
O estudo aponta que governos com maior apoio legislativo tiveram mais facilidade para implementar suas propostas. Entre os exemplos estão a Bolívia, onde Rodrigo Paz conseguiu formar uma coalizão com maioria nas duas Casas, a República Dominicana, com Luis Abinader sustentado por uma ampla base parlamentar, e o México, onde Claudia Sheinbaum avançou em reformas estruturais com apoio do Congresso.
Por outro lado, o levantamento destaca que presidentes sem maioria legislativa enfrentam maiores dificuldades para aprovar medidas. No Equador, Daniel Noboa enfrenta resistência da oposição, enquanto, na Guatemala, Bernardo Arévalo depende de negociações permanentes em um Congresso fragmentado.
O Ranking dos Políticos também identifica uma expansão da direita e da centro-direita na América Latina. Segundo o estudo, esse campo político venceu eleições recentes em países como Argentina, Paraguai, Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Costa Rica e El Salvador.
A análise, porém, ressalta que o crescimento da direita não significa uma mudança uniforme no continente, mas uma nova configuração política em que a capacidade de articulação no Legislativo passou a ser determinante para a estabilidade dos governos.
No caso brasileiro, o levantamento aponta que o cenário para 2026 terá como principal desafio a formação de alianças no Congresso. Com um dos sistemas partidários mais fragmentados entre as democracias, o país exigirá do próximo presidente capacidade de negociação para transformar propostas em ações concretas.
“A estabilidade institucional do Brasil dependerá menos do marketing ideológico e quase inteiramente da engenharia de coalizão”, concluiu o diretor-geral da instituição responsável pelo estudo.