Rio de Janeiro

Sanderson aciona TCU para apurar curso de drones financiado com recursos públicos

Parlamentar defende fiscalização rigorosa de programas com tecnologias sensíveis diante do uso de drones por facções criminosas

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Deputado federal Sanderson. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados).

O deputado federal e candidato ao Senado Ubiratan Sanderson (PL-RS) protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a apuração da legalidade de uma eventual contratação pública ou parceria que envolva recursos públicos para a realização de um programa de capacitação de operadores de drones no estado do Rio de Janeiro.

No documento encaminhado ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, o parlamentar ressalta que a iniciativa não parte de qualquer conclusão prévia sobre a existência de irregularidades nem busca atribuir responsabilidade a agentes públicos ou entidades privadas.

O objetivo é que a Corte de Contas verifique se foram observados os requisitos legais de planejamento, governança, transparência, gestão de riscos e fiscalização previstos na Constituição Federal e na Lei nº 14.133/2021.

Segundo Sanderson, a tecnologia dos drones possui grande importância para atividades econômicas e profissionais legítimas, como agricultura, engenharia, inspeções, monitoramento ambiental, produção audiovisual e segurança patrimonial.

No entanto, o parlamentar destaca que esses equipamentos também apresentam emprego dual, podendo ser utilizados para finalidades ilícitas por organizações criminosas.

A representação menciona o contexto da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro, onde investigações e operações policiais têm registrado a utilização de drones por facções criminosas para monitoramento de ações policiais, vigilância de áreas dominadas e apoio logístico a atividades ilegais.

Também são citadas notícias sobre investigações envolvendo o interesse de integrantes do crime organizado em conhecimentos relacionados ao emprego militar de drones em conflitos internacionais.

Para o deputado, esse cenário reforça a necessidade de que programas públicos de capacitação envolvendo tecnologias sensíveis sejam estruturados com rigor técnico e mecanismos eficazes de controle, de forma a assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e minimizar riscos à segurança pública.

Na representação, o parlamentar requer que o TCU promova diligências para obter o processo administrativo completo, incluindo estudos técnicos preliminares, termo de referência, pesquisa de preços, pareceres jurídicos, documentos da contratação, planos de fiscalização e prestação de contas. Também solicita a análise da observância dos princípios da legalidade, eficiência, economicidade, transparência e gestão de riscos.

“Nosso objetivo é fortalecer o controle preventivo da Administração Pública, garantindo que políticas de capacitação tecnológica sejam executadas com planejamento, responsabilidade e mecanismos adequados de governança, especialmente quando envolvem tecnologias de potencial emprego estratégico”, destaca Sanderson.

Ao final, o parlamentar requer que, caso sejam constatadas irregularidades, o Tribunal adote as providências cabíveis previstas na Lei nº 8.443/1992, assegurando o contraditório e a ampla defesa aos responsáveis.