EUA impõem nova tarifa de 12,5% ao Brasil e carga sobre produtos chega a 37,5%
Investigação do USTR cita importações ligadas a cadeias produtivas com indícios de trabalho forçado
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que o Brasil não combate de forma suficiente práticas relacionadas ao trabalho forçado em sua cadeia produtiva.
A medida entra em vigor nesta sexta-feira (24).
A decisão faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisou 60 países. O Brasil está entre os 54 que receberão a alíquota de 12,5%.
A nova tarifa será somada aos 25% já aplicados desde 22 de julho, quando entraram em vigor as primeiras sanções decorrentes de uma investigação específica aberta contra o Brasil em julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Com a nova medida, produtos brasileiros sujeitos às duas sanções poderão enfrentar uma carga tarifária total de 37,5% para ingresso no mercado norte-americano, ampliando a pressão sobre as exportações brasileiras.
Justificativa
Segundo o governo norte-americano, a nova cobrança se baseia no entendimento de que o Brasil importa produtos de países que não adotam padrões adequados de proteção ao trabalho. Na avaliação dos EUA, isso reduz artificialmente os custos desses produtos, gerando uma concorrência considerada desleal para a indústria americana.
A investigação aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos que teriam sido fabricados com uso de trabalho forçado.
Os cinco setores citados no relatório são:
- alumínio;
- algodão;
- eletrônicos;
- baterias de lítio;
- tabaco.
Medida atinge outros países
O Brasil não foi o único alvo da decisão. Ao todo, 60 países foram incluídos na investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
Além dos 54 países que receberam a tarifa de 12,5%, outros seis tiveram uma alíquota menor, de 10%. Nesse grupo estão Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão.