Especialista alerta

Alta dos aluguéis supera a inflação e reforça pressão sobre quem busca imóvel

Especialista em mercado imobiliário avalia que os aluguéis devem continuar subindo acima da inflação

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Daniel Claudino recomenda planejamento financeiro para quem pretende fechar um contrato de aluguel. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil).

O especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino afirmou ao Diário do Poder que a alta dos aluguéis, que tem superado a inflação em 2026, é consequência do descompasso entre o aumento da demanda por imóveis para locação e a oferta limitada de unidades disponíveis.

Claudino avalia que esse cenário deve manter os preços em alta e continuar pressionando o orçamento de quem já vive de aluguel ou pretende firmar um novo contrato nos próximos meses.

“Existe hoje uma procura maior por imóveis para locação, principalmente nos grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo, a oferta não cresceu na mesma velocidade, criando um desequilíbrio que acaba pressionando os preços para cima”, explica.

Os dados do Índice FipeZAP reforçam essa tendência. Entre janeiro e maio, os preços dos aluguéis residenciais acumularam alta de 4,40%, superando a inflação oficial medida pelo IPCA (3,20%) e também o IGP-M (3,79%), indicador tradicionalmente utilizado para o reajuste dos contratos de locação. Apenas em maio, os aluguéis avançaram 0,85%, percentual superior ao registrado pelos imóveis destinados à venda no mesmo período.

Segundo Daniel, outro fator que sustenta a valorização das locações é a dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário. Embora a taxa Selic esteja em trajetória de redução, o crédito continua restritivo, fazendo com que muitas famílias adiem a compra da casa própria.

“Mesmo com um cenário de redução gradual da Selic, o crédito imobiliário continua bastante criterioso. Muitas pessoas que pretendiam comprar um imóvel acabam permanecendo no aluguel por mais tempo, aumentando a demanda por locação”, afirma.

Na avaliação do especialista, o mercado de locação vive um momento diferente do segmento de compra e venda de imóveis. Enquanto os imóveis à venda registram valorização mais moderada, os aluguéis seguem em ritmo mais acelerado devido à baixa disponibilidade de imóveis e ao aumento da demanda.

Para os proprietários, o cenário também se mostra favorável. Claudino afirma que a locação voltou a ser uma opção de investimento atrativa, impulsionada pela baixa vacância e pela possibilidade de reajustes compatíveis com a realidade do mercado.

“O aluguel voltou a ser um investimento bastante atrativo. Com uma demanda consistente e baixa vacância em diversas regiões, muitos proprietários conseguem reajustar os contratos dentro da realidade do mercado sem dificuldade para encontrar novos inquilinos”, destaca.

Diante desse cenário, o especialista recomenda planejamento financeiro para quem pretende fechar um contrato de aluguel.

“O ideal é pesquisar bastante, comparar imóveis semelhantes e negociar as condições do contrato. Muitas vezes é possível conseguir melhores condições antes da assinatura do que tentar renegociar depois. Também é importante que o aluguel não comprometa uma parcela excessiva da renda familiar”, orienta.

Para os próximos meses, Daniel Claudino avalia que a tendência é de continuidade da valorização dos aluguéis, embora em ritmo menos intenso.

“Não esperamos uma explosão nos preços, mas o mercado deve continuar valorizado. A tendência é de crescimento moderado, sustentado principalmente pelo aquecimento da demanda e pela recuperação gradual da economia”, conclui.