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Acordo do INSS cria falsa expectativa e limita ressarcimento, alerta entidade

Associação destaca que vítimas renunciarão a valores importantes ao aceitar proposta do governo, homologada pelo STF

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Presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (Abradeb), Raimundo Nonato. (Foto: Divulgação).

O presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (Abradeb), Raimundo Nonato, afirmou ao Diário do Poder que o plano de ressarcimento para vitimas de fraudes no INSS, limita direitos dos afetados e favorece instituições envolvidas.

Para Nonato, a proposta exige que as vítimas abram mão da reparação integral.

“Quem aceitar o acordo renunciará ao direito à devolução em dobro dos valores descontados e à indenização por danos morais, o que representa um prejuízo de milhares de reais por beneficiário”, afirmou.

Raimundo afirma que o governo Lula tenta preservar a sua imagem à custa da população mais vulnerável.

“O governo tenta preservar sua própria imagem e evitar consequências financeiras, sem garantir justiça plena às vítimas. Trata-se de uma estratégia institucional para minimizar danos à custa da população mais vulnerável”, ponderou.

O Plano

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou, na última semana, o plano de ressarcimento aos aposentados e pensionistas do INSS vítimas de descontos indevidos.

A decisão, assinada pelo ministro Dias Toffoli, autoriza o início dos pagamentos no dia 24 de julho, em lotes quinzenais. O montante destinado à reparação ficará fora do cálculo da meta fiscal deste ano e de 2026.

A decisão mantém suspensos os prazos processuais para pedidos de indenização e paralisa temporariamente todas as ações judiciais relacionadas ao caso.

Estão também suspensas as decisões já proferidas que discutem a responsabilidade da União e do INSS pelos descontos associativos realizados entre março de 2020 e março de 2025.

A adesão ao acordo poderá ser feita via aplicativo Meu INSS, Central 135, agências dos Correios e ações presenciais em áreas rurais. No entanto, ainda não foi divulgado o prazo para que os aposentados e pensionistas solicitem os valores a que têm direito.

A estimativa é de 1,5 milhão de ressarcimentos a cada 15 dias.

Raimundo Nonato afirma que o anúncio da data de pagamento antes mesmo da homologação do plano pelo STF “foi precipitado”.

“Parece que a decisão judicial seria apenas uma formalidade. Isso compromete a confiança dos beneficiários, que são expostos a falsas expectativas quanto à rapidez e certeza do ressarcimento”, destacou.

Ele afirmou que a Abradeb ajuizou uma Ação Civil Pública para assegurar a reparação integral, incluindo devoluções em dobro, indenizações por danos morais e responsabilização do INSS, Dataprev e associações envolvidas.

Para o presidente da associação, “o caminho judicial, seja por ação coletiva ou individual, continua sendo a via mais segura e legítima para garantir justiça às vítimas dessa grave violação de direitos”.

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