Vexame histórico

Desfile revela falta de noção institucional dos chefes de Poder ausentes

Ausência revela autoridades mais preocupadas com as próximas eleições

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O governador Ibaneis Rocha e os presidentes Jair Bolsonaro e Marcelo Rebelo de Souza: institucionalidade.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não teria atendido ao pedido do Palácio do Planalto para permitir o acesso de caminhoneiros à Esplanada dos Ministérios, neste 7 se setembro, mas, apesar de tensões provocadas pela suposta recusa, ele esteve no palanque ao lado do presidente Jair Bolsonaro para celebrar o Bicentenário da Independência do Brasil.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, enfrentou momentos de constrangimento, há cerca de dois meses, quando em 9 de julho Bolsonaro cancelou audiência em que o receberia para demonstrar desagrado com a gafe diplomática do português, que, ao chegar ao Brasil, primeiro se reuniu com Lula (PT), chefe da oposição, e não com o chefe de Estado anfitrião.

Ibaneis Rocha e Marcelo Rebelo de Sousa têm em comum noção exata a institucionalidade dos cargos que ocupam, bem ao contrário de autoridades como os presidentes da Câmara, Arhur Lira, do Senado, Rodrigo Pacheco, e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, talvez mais preocupados com a próxima eleição do que com os papéis de chefes de Poder.

O governador do DF se comportou como o gestor público da cidade que hospeda os Poderes da República e, como tal, sua obrigação era estar presente, além do fato de ser mais um brasileiro interessado em demonstrar orgulho pela História de 200 anos celebrada neste Dia 7.

O presidente de Portugal atravessou o oceano Atlântico para atender ao convite do governo brasileiro, cumprindo o papel institucional que lhe cabe como representante máximo do antigo colonizador, hoje celebrando o Bicentenário da independência de sua antiga e mais importante ex-colônia. Já os presidente do Senado e do STF não conseguiram sair de suas casas no Lago Sul, em Brasília, para vencer os poucos quilômetros que os separavam da Esplanada. O da Câmara não se moveu de Alagoas.

Na prática, o trio Lira-Pacheco-Fux fez mais do que se ausentar do desfile de 7 de Setembro, o que já seria incompreensível. Mais que isso, os três se recusaram a sair na foto da História, no evento mais importante da data magna da nacionalidade: os 200 anos da Independência do Brasil.

Se a ideia foi manter distância de Bolsonaro, mal disfarçam o gesto de simpatia a seus adversários.