Daniel Vorcaro teve acesso antecipado a documentos sigilosos, afirma PF
Autoridades apuram suspeita de venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas para encobrir prejuízos
A Polícia Federal (PF) avançou nas investigações da Operação Compliance Zero, localizando documentos de inquéritos confidenciais no aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo os investigadores, os dados extraídos do dispositivo indicam que o empresário teve acesso prévio a trechos de investigações sigilosas antes mesmo que estas fossem disponibilizadas oficialmente aos seus advogados. O material encontrado inclui informações sobre a venda do Banco Master ao BRB, ponto central da apuração em curso.
Além do vazamento de documentos, a PF apura a suposta contratação de hackers a serviço de Vorcaro. Mensagens trocadas entre o banqueiro e um funcionário sugerem que ele teria solicitado a invasão de sistemas para obter arquivos restritos e manipular a divulgação de notícias relacionadas à instituição bancária.
De acordo com os investigadores, o empresário também teria utilizado robôs para reduzir a visibilidade de notícias negativas e impulsionar conteúdos favoráveis sobre sua imagem e a do Banco Master.
Outra frente da investigação foca em uma possível fraude de R$ 12 bilhões. A suspeita é de que o Banco Master tenha vendido carteiras de crédito consignado inexistentes ao BRB com o objetivo de mascarar prejuízos financeiros.
Em contrapartida, a defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade. Os advogados sustentam que não houve fraude e argumentam que o BRB teve a prerrogativa de substituir os ativos caso fossem identificadas inconsistências operacionais.
O processo passou por recentes movimentações nos tribunais superiores. Vorcaro foi solto em 29 de novembro após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Posteriormente, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), avocou o caso devido à apreensão de documentos que mencionavam uma transação imobiliária envolvendo o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
Após um período de suspensão, o ministro Toffoli determinou, na última segunda-feira, a retomada imediata dos depoimentos dos investigados. A posse dos documentos sigilosos reforça, para os investigadores, a tese de que o banqueiro cogitou evadir-se do país por receio de uma ordem de prisão.