FACÇÃO SEM FRONTEIRAS

CV amplia domínio na Amazônia e expande atuação além do tráfico

Facção amplia presença em centenas de municípios, avança sobre o garimpo ilegal, a exploração de madeira e rotas estratégicas na Amazônia

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Foto: James Martins / Creative Commons

O avanço do Comando Vermelho na Amazônia Legal tem ampliado a influência da organização para além do tráfico de drogas, alcançando atividades como garimpo ilegal, exploração clandestina de madeira e controle de rotas fluviais utilizadas para o transporte de mercadorias ilícitas.

Dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a presença de facções criminosas na região cresceu de forma acelerada nos últimos anos, alcançando 344 municípios da Amazônia Legal em 2025.

Segundo o levantamento, o Comando Vermelho é hoje a principal organização criminosa em atuação na região, com presença em 286 municípios e domínio exclusivo em 202 deles.

O crescimento ocorreu principalmente ao longo de corredores estratégicos próximos às fronteiras com Peru e Colômbia, utilizadas para o escoamento de cocaína em direção aos grandes centros brasileiros e ao mercado internacional.

Enquanto isso, o Primeiro Comando da Capital manteve influência em cerca de 90 municípios, número inferior ao registrado anteriormente. 

As investigações das forças de segurança também indicam que a atuação do Comando Vermelho deixou de se concentrar apenas no narcotráfico.

A facção passou a explorar atividades ilegais de alto retorno financeiro, como a extração clandestina de ouro, a exploração ilegal de madeira e o controle de áreas utilizadas por garimpeiros.

Em alguns casos, o ouro extraído ilegalmente é utilizado como moeda de troca para aquisição de armas e drogas em países vizinhos, fortalecendo a estrutura financeira da organização criminosa. 

Um dos casos investigados envolve o garimpo ilegal de Cururu, localizado na Terra Indígena Sararé.

Conforme apurações da Polícia Federal, integrantes da facção teriam assumido o controle da área após inicialmente oferecer proteção armada aos garimpeiros, passando posteriormente a comandar a exploração ilegal do ouro e a logística da atividade criminosa.

Os estudos também mostram que a Amazônia se tornou um dos principais eixos da expansão das organizações criminosas devido à extensa malha de rios, à dificuldade de fiscalização em áreas remotas e à proximidade com grandes produtores de cocaína na América do Sul.

Além das rotas fluviais, facções utilizam pistas clandestinas de pouso, portos e embarcações para transportar drogas, armas e recursos obtidos em outras atividades ilegais.

Na região amazônica atuam atualmente 17 facções criminosas, entre grupos nacionais e organizações estrangeiras.

Apesar desse cenário, o Comando Vermelho consolidou a maior presença territorial, ampliando sua influência em estados do Norte e fortalecendo alianças com grupos locais.

Paralelamente, operações conduzidas por órgãos federais buscam combater o avanço do garimpo ilegal, interromper rotas logísticas e reduzir o financiamento das organizações criminosas que operam na Amazônia.