União Europeia oficializa veto às carnes do Brasil a partir de setembro
Medida impede produtores brasileiros de vender bovinos, aves, aquicultura, mel e tripas a países membros da UE
O Brasil foi oficialmente retirado da lista de países autorizados a vender à União Europeia alguns animais e produtos de origem animal, como carnes, até cumprir novas regras sanitárias para uso de antimicrobianos. A medida anunciada em maio foi publicada no Diário Oficial da União Europeia desta sexta-feira (5). E terá vigência a partir de 3 de setembro.
A decisão veta entrada de bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas de origem brasileira, por que a Comissão Europeia não registra o recebimento de informações suficientes de autoridades do Brasil que comprovem garantias do cumprimento das medidas exigidas, até setembro.
No foco das cobranças está não usar medicamentos antimicrobianos ao longo da cadeia produtiva, no tratamento e prevenção de infecções em animais. E o veto persistiu, mesmo após o governo brasileiro proibir oficialmente, em abril, o uso de parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal.
“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3.o do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias”, diz um trecho da publicação assinada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A União Europeia é o terceiro principal comprador da carne bovina brasileira em valor exportado, atrás apenas de China e Estados Unidos. E as dificuldades de adequação às regras do bloco europeu incluem comprovar com rastreabilidade sanitária que os produtos exportados não usam os antimicrobianos vetados. Porque o processo é caro e complexo para produtores e exportadores.
Os medicamentos vetados pela UE incluem: virginiamicina, avoparcina, cacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.