Relator: ‘CPMI não inicia com flecha apontada. Ladrão não tem ideologia’
Alfredo Gaspar ressaltou que oposição e situação não devem travar investigação do roubo bilionário no INSS
O deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (União-AL) alertou que seu plano de trabalho aprovado nesta terça-feira (26) para a CPMI investigar roubos bilionários do INSS não aponta flecha para ninguém e prevê liberdade para investigar independente da ideologia dos suspeitos. O relator da comissão de inquérito instalada no Congresso Nacional também advertiu que “ladrão não depende de ideologia” e que o povo brasileiro não permitirá que haja movimentos para travar a CPMI do INSS.
Alfredo fez a observação com base no fato de a comissão estar bem dividida entre opositores e aliados do presidente Lula (PT). Bem como para justificar que sua obrigação de seguir um rito investigativo o levou a não priorizar a convocação do irmão do presidente petista, conhecido Frei Chico, que é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), cuja arrecadação somou R$ 259 milhões com descontos de sindicalizados, desde 2019.
“Tem muito ladrão precisando ser trazido a público, para mostrar coberturas, jatinhos , lanchas, offshores. [Ladrão] Não depende de ideologia politica. Meu primeiro requerimento nesta comissão foi convocar o irmão do Lula. Mas, como relator, tenho a obrigação de seguir um rito procedimental de investigação. Tudo terá o seu tempo”, afirmou o deputado alagoano.
Liberdade para investigar
O relator da CPMI detalhou que sua leitura dos requerimentos de convocação e das quebra de sigilo neste contexto de correlação de forças entre situação e oposição vão ajudar muito na condução de seu relatório. E ressaltou que as demandas de ambos os grupos lhe permitiu ter uma visão muito ampla do trabalho investigativo a ser executado.
“Os senhores não terão, no relatório de trabalho, uma flecha apontada para quem quer que seja. Esse relatório de trabalho ele busca tão somente que nós tenhamos liberdade para investigar. Se quiserem travar a comissão, quem vai nos fiscalizar é o povo brasileiro” advertiu Alfredo Gaspar.
O deputado ressaltou que é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), rival de Lula, mas que prioriza seu papel institucional acima de preferências ideológicas, para garantir um resgate da credibilidade perdida da classe política e de CPMI diante dos brasileiros.
“Porque o povo não acredita em comissão parlamentar inquérito. O povo não acredita na classe política. O povo não acredita na nossa boa fé. Então, nós já começamos com uma pizza pronta, no imaginário popular. Tenham certeza de que quem pode desmistificar isso somos nós”, concluiu.