PF terá 458 servidores na segurança de até 10 candidatos a presidente
Objetivo é dar garantias efetivas para evitar cenas como o ataque brutal a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018
A operação nacional da Polícia Federal para garantir a segurança de até 10 candidatos a presidente da República custará R$ 95 milhões e mobilizará 458 servidores, entre agentes de proteção, chefes de equipe e profissionais das áreas de inteligência, de logística e de apoio nas suas superintendências regionais em todo o Brasil, durante as Eleições de 2026. O plano detalhado pela PF nesta sexta-feira (17) foi coordenado pela Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP) da corporação.
“A estrutura foi dimensionada para atender, simultaneamente, até dez candidaturas, com equipes especializadas, com atuação em todos os estados e com acompanhamento permanente das agendas de campanha. A proteção poderá ser iniciada a partir de 20 de julho, após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias e a formalização da solicitação pelas respectivas campanhas”, disse a PF.
Além da polarização eleitoral e do acirramento das disputas eleitorais, o plano tenta dar garantias efetivas para evitar que sejam repetidas cenas como o ataque brutal sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi esfaqueado durante a campanha presidencial de 2018, em ato eleitoral em Juiz de Fora (MG).
A operação assegura que cada candidatura tenha um planejamento próprio, como detalhou a PF, elaborado a partir de metodologia técnica de análise de risco e atualizado de acordo com a evolução das ameaças, das vulnerabilidades identificadas e das características de cada compromisso de campanha.
“As avaliações consideram, entre outros elementos, o histórico de ameaças, informações de inteligência, locais dos eventos, acessos, deslocamentos e o contexto de segurança de cada região”, diz a corporação.
Entre os procedimentos previstos, estão o reconhecimento prévio dos locais de eventos de campanha, com articulação das medidas necessárias com as forças de segurança estaduais e municipais. E a quantidade de efetivo e os meios empregados poderão ser reforçados ou ajustados a qualquer momento, conforme as necessidades identificadas.
“O objetivo é viabilizar, com segurança, os compromissos apresentados pelas campanhas, de maneira discreta e com a menor interferência possível na dinâmica dos atos eleitorais”, informou a corporação.
Veja outros aspectos do plano, divulgado pela PF:
Critérios técnicos e tratamento isonômico
A operação foi estruturada para garantir tratamento isonômico a todas as candidaturas, com aplicação dos mesmos critérios técnicos e com protocolos de segurança. O efetivo e os recursos empregados serão definidos de forma individualizada, de acordo com o nível de risco e com as características de cada agenda. Informações como agendas, itinerários, avaliações de ameaça e composição das equipes são tratadas de forma compartimentada. A restrição de acesso a esses dados integra o próprio protocolo de segurança das pessoas protegidas.
Por razões operacionais, a Polícia Federal não divulga a classificação de risco atribuída individualmente aos candidatos nem o número de servidores destinado a cada equipe.
Diálogo com partidos e campanhas
Desde abril, a Polícia Federal mantém interlocução com os partidos e com as pré-candidaturas para apresentar o funcionamento da operação e para preparar a atuação durante o período eleitoral.
Os 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral foram oficialmente comunicados. A instituição também promoveu uma reunião geral de apresentação do modelo de segurança e realizou reuniões bilaterais com as pré-candidaturas que solicitaram esclarecimentos específicos.
A adesão à proteção da Polícia Federal é uma prerrogativa do candidato. As campanhas que optarem por não utilizar o serviço terão sua decisão respeitada, permanecendo abertos os canais para que a proteção seja solicitada posteriormente.
Na hipótese de confirmação da candidatura do presidente da República, sua segurança permanecerá sob o modelo híbrido atualmente adotado, com atuação conjunta do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e da Polícia Federal.
Tecnologia e estrutura operacional
A operação poderá contar, conforme a avaliação de cada agenda, com veículos blindados, com grupos táticos, com equipamentos de defesa antidrone, com reconhecimento facial, com monitoramento de ameaças digitais e com kits para vistorias antibombas.
Além disso, a operação foi precedida por um conjunto diversificado de ações de capacitação preparatória: ao todo, mais de 600 profissionais foram formados ou aperfeiçoados entre 2025 e 2026, em competências que vão desde direção veicular, primeiros socorros, operação de drones e salvamento aquático até formação específica em proteção à pessoa e procedimentos próprios da segurança de presidenciáveis. As oficinas foram segmentadas por função, contemplando chefes de equipe, operadores, inteligência e logística, e o ciclo encerra-se com um seminário final de alinhamento entre todas as áreas envolvidas, imediatamente antes do início da operação.
A partir de 20 de julho, a Polícia Federal ativa, em Brasília, a Sala Nacional de Comando e Controle da operação. É de lá que a instituição vai acompanhar, em tempo real, onde estão as equipes, quais agendas estão em curso e se algo foge do previsto, permitindo decidir rápido, dar suporte logístico e manter todos os servidores em campo alinhados a partir de uma única central.
Essa centralização é operacional, não de inteligência: as avaliações de risco e as informações sensíveis sobre cada candidato continuam restritas a quem, de fato, precisa delas para atuar.
Em campo, a atuação será realizada em articulação com as forças de segurança locais, especialmente em eventos de maior concentração de público ou que demandem medidas adicionais de proteção.
Recursos destinados à operação
A segurança dos candidatos à Presidência teve destinado, aproximadamente, R$ 95 milhões para sua execução. Os recursos serão empregados na mobilização dos servidores, na contratação de serviços necessários à operação e na aquisição de equipamentos, como viaturas blindadas, coletes balísticos de alto desempenho, sistemas antidrone e kits de vistorias antibombas.
Previsão legal
A segurança dos candidatos à Presidência da República pela Polícia Federal está prevista na Constituição Federal, na Lei nº 7.474/1986, no Decreto nº 6.381/2008 e na Portaria MJ nº 493/1998.
A proteção pode ser iniciada após a homologação da candidatura em convenção partidária e a formalização da solicitação pela campanha.