PF e COAF admitem terrorismo, em pacto contra lavagem de dinheiro
Fortalecimento da organizações criminosas preocupa órgãos de investigação, que firmam parceria contra crimes financeiros
Em meio à escandalosa fraude bilionária do Banco Master e ao avanço do poderio econômico das facções criminosas, a Polícia Federal assinou, nesta quarta-feira (1º), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), para ampliar a ação integrada destas instituições para combater e prevenir a lavagem de dinheiro, voltada a financiar o terrorismo, a proliferação de armas de destruição em massa e outros crimes relacionados. No centro das intenções oficiais está combater o terrorismo, muitas vezes negado pela retórica eleitoral do presidente Lula (PT).
O ato firmado com a presença do diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, fez a rara referência a terrorismo, após o governo petista criticar e resistir à iniciativa dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, no último mês de junho.
Sob a pressão crescente da preocupação dos brasileiros com a expansão da criminalidade no Brasil sem respostas efetivas da Segurança Pública, a parceria da PF com o COAF promoverá a ampliação do intercâmbio de dados, informações e conhecimentos, de trabalhos e estudos conjuntos, capacitação de servidores e do aprimoramento dos mecanismos de interlocução técnica, contra as práticas criminosas de dar roupagem legal a capitais provenientes de crimes.
A parceria nacional terá vigência de 60 meses, estruturada em três eixos principais, oficialmente denominados como “compartilhamento de informações, capacitação de servidores e desenvolvimento de estudos sobre lavagem de dinheiro e combate ao terrorismo”.
“A iniciativa fortalece a atuação coordenada da Polícia Federal e do COAF no sistema nacional de prevenção e combate à lavagem de dinheiro, contribuindo para o aperfeiçoamento da análise financeira, da identificação de padrões suspeitos, da produção de inteligência e da efetividade das investigações conduzidas pela Polícia Federal”, detalhou a PF.
A assinatura do acordo de cooperação também inaugurou a primeira unidade regional do COAF, em São Paulo, que promete amplia a presença institucional do Conselho, no principal centro financeiro do país, onde nasceu e avança o PCC. Para a PF, a parceria “fortalece a interlocução com órgãos públicos e privados e representa mais um passo na descentralização das atividades de inteligência financeira”.
Também estiveram presentes ao ato: o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente do COAF, Ricardo Saadi; o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney; o Superintendente Regional da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo Sanfurgo; e e servidores da Polícia Federal.
Além do terrorismo, a parceria sinaliza querer combater e prevenir fraudes bilionárias a do Banco Master, considerada o maior crime financeiro da história do Brasil. Porque a PF detalha que a cooperação com o COAF foca na inteligência financeira, na segurança jurídica, na proteção de dados e na defesa da integridade do sistema financeiro nacional.