Lupi pode voltar à CPMI investigado, após depor por quase 10 horas
Ex-ministro da Previdência de Lula foi ajudado por tumultos que alongaram sessão sobre roubo no INSS
Tumultos causados por embates entre governistas e a oposição alongaram por quase 10 horas o depoimento do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, nesta segunda-feira (9), na CPMI do INSS. O ex-auxiliar do presidente Lula (PT) foi responsável pela mais longa oitiva de testemunha na comissão parlamentar que investiga roubo de ao menos R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas. E pode voltar a depor como investigado.
Lupi foi alvo de uma saraivada de perguntas do relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), que questionou se teria recebido propina, sido omisso ou atuado como uma “Rainha da Inglaterra”, diante dos escândalos ocorridos sob sua gestão. O ex-ministro que estava à frente da Previdência durante a explosão de descontos associativos suspeitos pode retornar à comissão, após ser acusado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG) de dar respostas contraditórias.
Durante mais de uma hora e meia de questionamentos, Alfredo Gaspar chegou a lembrar de suspeitas de ilegalidades que levaram Lupi a pedir demissão da pasta do Trabalho, em 2011, e da Previdência, em maio, em governos do PT. Questionou se o ex-ministro não considerava propina o seu passeio de jatinho alugado por presidente de uma ONG investigada por desviar dinheiro de convênios com o governo de Dilma Rousseff (PT), em 2011. E Lupi negou dizendo que a Justiça arquivou todas as denúncias de que foi alvo.
“A verdade é que o povo foi roubado. E de quem é a culpa? É isso que a CPMI vai descobrir. Meu papel é cobrar respostas claras e defender a verdade. O Brasil não aguenta mais escândalos repetidos em quem deveria dar exemplo”, disse Alfredo Gaspar, ao resumir o depoimento.
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado).
Retorno como investigado
A tática de tumultuar a oitiva adotada pela base petista tumultuou e alongou a sessão. E o presidente da CPMI Carlos Viana avaliou que vários pontos nas falas de Lupi não coadunam, não se confirmam em falas passadas. Mesmo achando prematuro, o senador avaliou que pode tornar Lupi investigado.
“Por exemplo, a primeira denúncia que surgiu veio de uma pessoa que ele disse, na Câmara dos Deputados, que era uma amiga pessoal [Tonia Galleti] e aqui negou qualquer tipo de relacionamento. […] Podemos convidá-lo novamente, se ele concordar em retornar, será bem-vindo como convidado. Se não, podemos fazer a convocação e até mesmo uma acareação com as pessoas que foram citadas durante os depoimentos”, afirmou Carlos Viana.
Lupi foi pressionado pela oposição, após a Operação Sem Desconto revelar, em abril, o escândalo de roubos a aposentados e pensionistas, por meio de descontos não autorizados. E foi forçado a pedir demissão em 2 de maio.
No primeiro ano de governo de Lula e sob a gestão de Lupi na Previdência, foram descontados R$ 1,299 bilhão dos benefícios, em 2023. O ano anterior, no governo de Jair Bolsonaro (PL), foram registrados R$ 706,2 milhões descontados. E o ápice dos descontos suspeitos ocorreu em 2024, quando R$ 2,637 bilhões foram drenados dos benefícios dos aposentados e pensionistas para as contas de entidades associativas investigadas.
Ao se defender de ter relação com os descontos ilegais que roubaram beneficiários do INSS, Lupi adotou a tática de direcionar questionamentos aos empréstimos consignados. “Acabaram com o desconto em folha dos associativos. Por que não o dos empréstimos consignados? Aí é que está um processo que a gente tem que olhar com muito cuidado”, alegou.