Audiência decisiva

Flávio acusa Lula de omissão e vai aos EUA defender Brasil do tarifaço

Senador e pré-candidato a presidente se inscreve em audiência para pedir suspensão de tarifas de 25% e defender Pix

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Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto: Redes Sociais/@flaviobolsonaro).

O pré-candidato a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusou o presidente Lula (PT) de omissão com fins eleitorais diante do tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos. E confirmou, nesta terça-feira (23), que se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que debaterá argumentos favoráveis e contra a proposta do governo de Donaldo Trump de aplicar tarifas de 25% aos produtos brasileiros.

“Vou defender os interesses do povo brasileiro! Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo lula [sic]. Como era de se esperar, lula[sic] não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”, acusou Flávio Bolsonaro.

No documento do gabinete de Flávio Bolsonaro pedindo inscrição para a audiência do USTR, o pré-candidato afirma que busca: “suspensão da ação proposta, acompanhada da abertura imediata de um mecanismo bilateral de negociação, com agenda e cronograma definidos, além de uma estrutura de acompanhamento e fiscalização que preserve integralmente o poder de pressão dos Estados Unidos enquanto se busca uma solução negociada”. Além de evitar eventuais medidas contrárias ao Pix.

O prazo para se inscrever na audiência do USTR finalizou nesta segunda-feira (22), e o jornalista e aliado de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, disse que representantes do governo brasileiro não confirmaram presença no debate. O USTR abriu a investigação, por ordem do governo Trump, em julho de 2025, por suspeitas de “práticas desleais” do Brasil na relação comercial.

A investigação do USTR teve como base os termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. E, no ano passado, listava entre práticas comerciais do Brasil que considera “desleais” e motivadoras do tarifaço (à época de 50%) sobre produtos brasileiros são itens como censura a discursos políticos, o Pix, a interferência anticorrupção, etanol e tarifas preferenciais injustas. Além de proteção da propriedade intelectual e desmatamento ilegal, consideradas entre atitudes “irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

No mês de maio, Flávio se reuniu com Trump e afirmou ter solicitado expressamente que o governo dos EUA não taxasse as empresas brasileiras. Mas acabou sendo desgastado pela base de apoio a Lula, com a nova ameaça tarifária de Trump, anunciada logo após suas reuniões com o senador e líderes da direita dos Estados Unidos.