À beira da falência

Credores da Light evitam 60% de ‘desconto’ em recuperação judicial

Concessionária no RJ tem como sócio Carlos Alberto Sicupira, um dos pivôs do escândalo das Americanas

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Dívida total da concessionária de energia supera R$ 11 bilhões

O plano de recuperação judicial apresentado na sexta-feira (14) pela Light desagradou a maioria dos seus credores, que rejeitam a proposta de desconto mínimo de 60% da dívida a ser paga aos acionistas da concessionária de energia elétrica no Rio de Janeiro, que tem como um de seus controladores o bilionário Carlos Alberto Sicupira, um dos pivôs do escândalo das Americanas.

Segundo o jornalista Roberto Rockmann, da Agência Infra, este grupo de credores busca uma alternativa à proposta e tentam atrair um player de grande porte para a retomada dos negócios da empresa. Tal plano de recuperação alternativo deverá ser debatido após a Assembleia Geral Extraordinária da empresa, que delibera amanhã (18) sobre a ampliação de sete para nove o número de integrantes de seu Conselho de Administração, que terá nomeados novos  conselheiros.

Cinco meses após informar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que não teria caixa para sustentar suas operações, a Light argumenta que sua sobrevivência dependerá da renovação ou não de contratos de concessão de distribuição.

Mas o Comitê de Gestoras de Fundos de Investimento em Debêntures, que representa R$ 5 bilhões dos R$ 11 bilhões da dívida da Light, divulgou nota, no sábado (15), criticando a imposição da “integralidade do sacrifício ao reequilíbrio financeiro da Light SESA aos credores”. O que consideraram ser transferência de riqueza ao acionista “ilegal, imoral e injusta”.

A legislação dá 30 dias de prazo para credores se manifestarem a respeito do plano, após a publicação do edital de convocação para apresentação do documento. E sua contestação levaria a uma convocação de assembleia de credores, onde haveria a oportunidade para exposição de plano alternativo, segundo fonte jurídica ouvida pelo jornalista Roberto Rockmann, da Coluna Curto-Circuito.

Somente com o aval de 50% mais um dos credores pode aprovar o plano de recuperação da empresa.

Incertezas no comando da Light

A mudança no Conselho de Administração da Light ocorre menos de um mês após o empresário Nelson Tanure ter aumentado sua participação no capital da concessionária para 28% das ações. Um patamar que representa quase a soma dos dois outros principais acionistas: Ronaldo Cezar Coelho (20%) e Sicupira (10%).

E há rumores negados pela Light são de que haveria mudança da diretoria, com a saída do CEO Octavio Pereira Lopes. O que aceleram as articulações de credores junto a Tanure sobre uma nova diretoria da empresa e do plano de remuneração dos executivos, segundo o jornalista da Agência Infra.

A expectativa sobre a regulação do setor pelo governo de Lula é outra variável que definirá os rumos da Light.