Assalto ao INSS

Chega de escândalo debaixo do tapete, afirma presidente da CPMI do INSS

Senador promete independência na investigação do furto bilionário a aposentados

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Senador Carlos Viana preside a CPMI do INSS. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

Alçado pela oposição à Presidência da CPMI que investigará o roubo bilionário a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o senador Carlos Viana (Podemos-MG) se comprometeu com a busca por respostas às vítimas do esquema criminoso e dar fim à prática de se colocar escândalos debaixo do tapete. O político mineiro avaliou sua vitória nesta quarta-feira (20) como fruto de um embate natural em um articulação vitoriosa que surpreendeu com a derrota de indicados pela cúpula do Congresso Nacional ao comando da comissão parlamentar mista de inquérito.

Ao lembrar que sua atuação como relator da CPI de Brumadinho no Senado, Carlos Viana destacou o fortalecimento da legislação sobre licenças ambientais contra novos crimes na mineração. E disse desejar aplicar, com o relator Alfredo Gaspar (União-AL) o mesmo rigor, convocando todos suspeitos e investigados.

“Todos os dados que forem colocados pela CPMI serão transformados em projetos de lei, para que a gente nunca mais permita que o INSS seja assaltado da forma como foi. E digo com muita clareza para vocês: chega de colocar escândalo debaixo do tapete. Vamos convocar todas as pessoas que forem necessárias, todos os personagens, independentemente de parentesco, de origem, de riqueza, o que quer que seja. Nosso compromisso é com uma CPMI que dê esclarecimento. [Explique] Como isso aconteceu. E que a gente possa evitar que não aconteça no futuro” afirmou Viana, em entrevista à CNN Brasil.

Articulação silenciosa

O senador detalhou que sempre esteve na disputa pelo comando da CPMI, mas evitou fortes pressões ao manter pedidos de apoio nos bastidores, até finalizar na noite de ontem. A estratégia desbancou o senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciado na semana passada para presidir a CPMI, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); e o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), indicado como relator pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-RN), na sexta-feira (15).

“O que se conseguiu aqui é a independência do parlamento. Ganha quem tem voto, nesta Casa. […] Ganha quem tem mais apoio e, principalmente, quem é independente. Porque a minha posição aqui é muito clara. Eu não estou aqui do lado do atual governo, nem do governo passado. Estou aqui pela população brasileira. A minha função é da respostas especialmente aos aposentados”, comprometeu-se Viana.

O novo presidente da CPMI detalho que convocará todos os ministros da Previdência dos últimos governos, para que prestem contas do que fizeram e não fizeram para coibir os assaltos. Em seguida, disse que buscará informações sobre como e quais centrais sindicais e associações de aposentados conseguiram autorizações do INSS para realizarem descontos ilegais de R$ 6,3 milhões nas aposentadorias e pensões.

“Vamos fazendo as convocações para ouvirmos, sem criar nenhum tipo de julgamento antecipado. É muito importante que todos tenham direito de defesa. E tenham, aqui, o espaço necessário para esclarecer. Mas queremos ouvir todos os envolvidos nessa história”, concluiu o senador Carlos Viana.

A investigação do esquema em que associações enganaram brasileiros vulneráveis com o aval do INSS, desde 2019, era uma cobrança da oposição ao governo de Lula (PT), desde a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril deste ano 2025. E foi adiada pela inércia de Hugo Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A investigação resultou no afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, nomeado por Lula.

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