Fugitivos blindados

Caiado acusa Lula e STF de admitir escudo ao crime em favelas do Rio

Governador de Goiás cita fuga de criminosos que pagam até R$ 10 mil mensais por proteção do Comando Vermelho no Complexo do Alemão

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Favela no Rio de Janeiro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil).

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), denunciou nesta quinta-feira (22) que a blindagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e a covardia do governo de Lula (PT) têm permitido que favelas do Rio de Janeiro sirvam de “escudo” para criminosos seguirem ordenando crimes, sem serem alvos de operações policiais e pagando por proteção. A crítica cita travas a operações policiais em comunidades pobres fluminenses, impostas pelo Supremo desde junho de 2020, durante a pandemia da covid-19, na chamada “ADPF das Favelas”.

Caiado divulgou vídeo com dois chefes da Polícia Civil goiana, relatando que o líder de uma quadrilha de 19 traficantes presos ontem (20) fugiu para o Complexo do Alemão, após a desarticulação de seu bando acusado de cinco dos 13 assassinatos ocorridos em Trindade (GO), em 2024.

E reforçou que decisões tomadas pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 criaram uma blindagem que permite que fugitivos de outros estados sigam espalhando medo ao Brasil, ordenando crimes de dentro de comunidades do Rio.

“Esse é o resultado da política de leniência e acovardamento do governo federal que, cada dia, cede mais espaço para as facções criminosas em nosso país. E quem sofre é o povo de bem, que só quer viver em paz, inclusive quem vive nessas comunidades. Se quer acabar com o crime organizado, tem que valer em todo o Brasil. Aqui em Goiás, bandido não se cria”, diz Caiado, em seus perfis das redes sociais.

Hotel e base criminosa

O delegado Douglas Pedrosa, titular da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), relatou que criminosos pagam por hospedagem e proteção da facção do Rio de Janeiro. E disse que o caso de ontem se junta a outros três casos de traficantes escondidos no Rio, de onde ordenam assassinatos, extorsão de pais de família e tráfico de drogas.

“A favela carioca é formada por hotel para traficantes, infelizmente. Os traficantes saem daqui e pagam entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês, pela estada no Rio de Janeiro. Lá, eles têm a proteção do Comando Vermelho e da geografia local. […] A Polícia Civil do Rio de Janeiro, mesmo querendo nos ajudar, não pode. Porque, infelizmente, tem o poder limitante do STF”, disse Pedrosa.

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Gustavo Ganga, relata ter realizado 151 operações para capturar criminosos fora do estado, em 2024, nas quais prendeu 454 fugitivos, sendo 78 no Rio de Janeiro.

Histórico

A ADPF 635 teve sua primeira liminar contra operações em favelas emitida pelo ministro-relator Edson Fachin em junho de 2020, em razão de mortes de civis na pandemia de covid-19. Mas foi movida pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em novembro de 2019, quando a sigla do atual vice-presidente Geraldo Alckmin pedia até que não houvesse operações com helicópteros usados como plataforma de tiro em todo o Estado do Rio de Janeiro.

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