Brasil amplia violência contra mulheres, crianças e adolescentes
Total de mortes intencionais caiu 5,4%, mas houve alta de 0,7% na violência letal contra mulheres e de 3,7% pessoas de zero até 17 anos de idade
Na contramão de uma queda das mortes violentas intencionais no país, em 2024, o Brasil registrou um avanço de 0,7% na violência letal contra mulheres e de 3,7% nos assassinatos de pessoas de zero até 17 anos de idade em solo brasileiro. Além disso, houve alta de 19% nas tentativas de feminicídio. Estes dados da 19ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (24), evidenciam o recorde de 1.492 feminicídios, na série histórica iniciada em 2015.
A covardia criminosa contra mulheres, crianças e adolescentes ofusca o dado mais positivo de que o número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) no Brasil caiu 5,4% no ano passado, em relação ao primeiro ano do governo de Lula (PT). Em 2024, a violência letal intencional chegou a 44.127 em 2024, enquanto o ano anterior registrou 46.328 destes crimes letais, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Entre as mulheres executadas por sua condição de gênero em 2024, 64,3% foram assassinadas dentro de sua própria casa. E o perfil dos alvos dos feminicídios são de 63,6% das vítimas negras; 70,5% entre 18 e 44 anos; e 80% mortas por seus companheiros ou ex-companheiros.
Praticamente todos os feminicídios (97%) foram cometidos por homens. Com 9% dos criminosos cometendo suicídio após matarem as mulheres, de acordo com dados de 18 estados que registram essa informação.
Além da alta de 19% nas tentativas de feminicídio, com 3.870 casos, as brasileiras ficaram expostas ao avanço de crimes como stalking e violência psicológica, que cresceram 18,2% e 6,3%, respectivamente.
Vulneráveis desde a infância
No grupo de vítimas entre zero e 17 anos, as mortes violentas intencionais cresceram 3,7%, com um total de 2.356 crimes letais no ano passado.
Além disso, a pedofilia avançou 14,1%, com crimes relacionados à produção de material de abuso sexual infantil. Outras covardias criminosas também tiveram altas. Sendo 9,4% ocorrências a mais de abandono de incapaz; mais 8,1% de casos de maus-tratos; e 7,8% de crescimento de agressões por meio de violência doméstica.