PRESSÃO NO BC

CPI mira Banco Central e pressiona por explicações de Campos Neto

Ex-presidente da autoridade monetária é esperado para depor sobre fiscalização e possíveis brechas exploradas pelo crime organizado

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Ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Agência Brasil).

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação de organizações criminosas no país deve avançar nesta semana com novos depoimentos e coloca no centro das apurações a gestão do sistema financeiro durante anos recentes. 

A expectativa dos parlamentares é ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em sessão marcada para terça-feira (31).

A oitiva é considerada estratégica dentro da CPI, que busca esclarecer se decisões regulatórias e eventuais falhas de fiscalização podem ter contribuído para a expansão de grupos criminosos no sistema financeiro. 

Campos Neto comandou a autoridade monetária entre 2019 e 2024, período analisado pelos integrantes do colegiado. 

O requerimento aprovado pela comissão aponta que mudanças normativas adotadas no período podem ter impactado o ambiente de controle bancário. 

A intenção dos senadores é obter informações técnicas sobre a atuação do Banco Central e entender como organizações criminosas teriam utilizado estruturas formais do mercado financeiro. 

A convocação ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre o chamado caso do Banco Master, que se tornou um dos principais focos da CPI. 

O colegiado apura suspeitas de uso de instituições financeiras e empresas para movimentação de recursos ilícitos e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. 

Além de Campos Neto, a comissão também prevê ouvir outros nomes ligados ao sistema financeiro e ao caso investigado, incluindo empresários e autoridades. 

Entre eles está um administrador apontado como elo em operações suspeitas relacionadas ao banco investigado, bem como representantes de órgãos de controle financeiro. 

A CPI já havia tentado ouvir o ex-presidente do Banco Central anteriormente, mas a sessão foi cancelada após decisão do Supremo Tribunal Federal que tornou facultativa sua presença. 

Na ocasião, ele informou que estaria disposto a prestar esclarecimentos por escrito. 

Instalada em 2025, a comissão tem como objetivo mapear o funcionamento e a expansão do crime organizado no Brasil, incluindo sua infiltração em setores formais da economia. 

Os trabalhos buscam reunir elementos para fortalecer o arcabouço legal e ampliar mecanismos de combate a facções e esquemas financeiros ilícitos.