Correios pagam R$800 mil a escritório sem licitação
Contratação direta prevê atuação em processo sigiloso no TCU
Os Correios contrataram um escritório de advocacia privado por R$800 mil sem passar por processo licitatório para atuar na defesa da estatal e de ex-dirigentes em um processo no Tribunal de Contas da União (TCU).
O contrato foi firmado por meio de dispensa de licitação, modalidade prevista em lei para situações excepcionais, e está vinculado a um procedimento administrativo identificado como TC 015.834/2024-7, que corre em sigilo.
O escritório contratado (Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advogados) passou a representar os Correios no processo que apura possíveis irregularidades contábeis nos balanços da estatal referentes ao ano de 2023, período em que a presidência era exercida por Fabiano Silva Santos.
Mesmo com cerca de 300 advogados no quadro interno, a empresa optou pela contratação externa.
A iniciativa de buscar uma banca fora do quadro próprio partiu da então diretora de Governança e Estratégia dos Correios, Juliana Picolli Agate, que deixou o cargo após troca na direção da estatal e passou a ocupar um cargo no Ministério dos Esportes.
O contrato prevê atuação junto ao TCU com foco técnico-jurídico, incluindo abordagens processuais específicas.
Documentos acessados por veículos de imprensa indicam que uma das estratégias discutidas envolve afastar a responsabilização pessoal de dirigentes investigados no processo.
A estatal informou que a contratação de escritórios de advocacia é uma prática comum tanto no setor público quanto no privado para condução de temas jurídicos complexos e relevantes.
Sobre os valores contratados, os Correios afirmaram que a medida atende às necessidades da defesa no processo em curso.