Corregedor do CNJ queixa-se de salário de R$141 mil e exige aumento para magistratura
Mesmo superando o teto constitucional com o uso de penduricalhos, ministro do STJ alega que os vencimentos da elite do Judiciário estão defasados
O corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, declarou publicamente que considera a sua remuneração aquém do patamar adequado para as funções que exerce.
A manifestação ocorreu em entrevista ao canal STF em Foco, momento em que o magistrado defendeu a necessidade de uma recomposição salarial atrelada à produtividade e ao volume de trabalho dos membros do Judiciário brasileiro.
Durante a declaração, o ministro destacou o total de processos analisados ao longo de sua carreira na Corte para justificar a demanda por vencimentos superiores.
Campbell afirmou não possuir uma remuneração à altura dos milhares de processos que julga no STJ, desafiando a existência de magistrados fora do Brasil com cifras de produtividade semelhantes e concluindo que deveria receber um salário condizente com o trabalho realizado pelo país.
Dados extraídos do Portal da Transparência do STJ indicam que, no mês de abril deste ano, o ministro obteve um rendimento líquido de aproximadamente R$141 mil.
Nos meses anteriores do mesmo ano, os valores recebidos também se mantiveram elevados, registrando cerca de R$122 mil em março e R$127 mil em fevereiro.
O montante global das cifras inclui as chamadas verbas indenizatórias, vantagens pessoais e créditos adicionais.
Essas remunerações ultrapassam o limite do teto constitucional do funcionalismo público federal, atualmente estabelecido em R$46,3 mil, valor correspondente ao subsídio bruto dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contudo, a extrapolação do teto ocorre amparada pela legislação vigente, uma vez que benefícios extras, gratificações e penduricalhos diversos não entram no cálculo do teto remuneratório oficial determinado pela Constituição.