Nada a ver

Ato de professores da UnB é anti-reforma… e pró-Palestina

Professores da universidade aprovaram ato contra a reforma administrativa e em “defesa da Palestina”

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Assembleia da Adunb, associação dos professores da UnB. Foto: Adunb
Assembleia da Adunb, associação dos professores da UnB. Foto: Adunb

Professores da Universidade de Brasília (UnB) anunciaram nova paralisação para 29 de outubro. O propósito do ato, disse a Associação de Docentes da UnB (Adunb), será a participação em movimento nacional contra a reforma administrativa, mas também “em defesa da Palestina e contra o genocídio”. Realizada na noite de segunda-feira (20), a votação da assembleia de professores foi unânime.

Os professores da UnB aproveitaram a assembleia que condenou medidas de austeridade da reforma administrativa que, segundo eles mesmos, “coloca em risco a continuidade” de serviços públicos, para também “construir” paralisação nacional em defesa da Palestina. O motivo seria a solidariedade aos palestinos.

Em 2024, a Adunb realizou paralização por reajuste salarial. A associação faz parte do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), que também articula movimento com o mesmo propósito. A associação de professores da UnB vai até fornecer ônibus no dia da paralisação entre a sede do sindicato e o local das atividades contra a reforma e pró-Palestina.

Em relação à reforma, o propósito dos docentes da UnB é “barrar a reforma administrativa no Congresso”, segundo comunicado oficial da Adunb. Também foram aprovadas pela assembleia de professores da UnB a “intensificação de ações de denúncia contra a reforma” e a articulação com “outros segmentos da comunidade universitária” e “outros sindicatos do DF”.

No comunicado no Instagram, a Adunb não faz menção à defesa da Palestina, aprovada na assembleia dos professores. Entretanto, revela a decisão no rodapé do comunicado no site oficial da associação.

Leia abaixo a íntegra do comunicado da associação dos professores da UnB:

Docentes da Universidade de Brasília (UnB) decidiram aderir à mobilização nacional contra a Reforma Administrativa em tramitação no Congresso Nacional. Em assembleia realizada na segunda-feira (20), foi aprovada por unanimidade a paralisação das atividades no dia 29 de outubro. Nesta data, ocorrerá a Marcha Unificada dos Servidores Públicos em protesto contra a proposta.

Para aprofundar o debate, a diretora da Associação dos Docentes da UnB – Seção Sindical do ANDES-SN (ADUnB-S.Sind), Maria Luiza Pereira, apresentou uma análise da Reforma, caracterizando-a como uma reestruturação dos serviços públicos que substitui o papel social do Estado por uma lógica mercantilista e privatizante.

A proposta da Reforma Administrativa impõe um teto de gastos ao setor público, colocando em risco a continuidade dos serviços no que diz respeito às suas especificidades. Também restringe a realização de concursos, achata carreiras e salários, institui a “gestão por resultados”, o que pode abrir espaço para assédio moral e demissões baseadas em metas e avaliações de desempenho, desconsiderando as características e necessidades de cada área do serviço público.

Impactos para os docentes

A proposta compromete a autonomia universitária e a gestão interna das instituições públicas de ensino. O planejamento de pessoal, incluindo a realização de concursos, passaria a ser guiado por metas e critérios externos às universidades.

Promoções, progressões e estabilidade estariam condicionadas ao desempenho em avaliações periódicas, baseadas em parâmetros subjetivos. Outro ponto crítico é o retrocesso na remuneração: a proposta prevê uma carreira única no serviço público federal com 20 níveis e limita a diferença entre o salário inicial e o final da carreira a 50%.

Paralisação e Marcha Unificada

Durante a assembleia, os professores e professoras da UnB reforçaram a urgência de barrar a Reforma Administrativa no Congresso. Em unidade com demais categorias do serviço público federal, aprovaram a adesão à paralisação nacional em 29 de outubro e à Marcha Unificada que será realizada na mesma data.

Um ônibus sairá da sede do sindicato às 9h com destino ao Museu Nacional, onde ocorrerão as atividades.

A assembleia também aprovou a intensificação das ações de denúncia contra a Reforma, a articulação com outros segmentos da comunidade universitária e o fortalecimento da unidade com sindicatos do Distrito Federal.

Palestina livre

Em solidariedade ao povo palestino, diante do genocídio perpetrado pelo Estado de Israel, os docentes da UnB deliberaram articular junto ao ANDES-SN a construção de uma paralisação nacional em defesa da Palestina.

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