CEO do C6 Consignado nega irregularidades na CPMI do INSS
Executivo contesta suspensão de consignados e afirma que instituição 'sempre cumpriu as normas e não realizou venda casada'
O CEO do C6 Bank Consignado, Artur Azevedo, negou nesta quinta-feira (19) a prática de irregularidades na oferta de crédito consignado durante depoimento à CPMI do INSS.
Ele afirmou que “discorda veementemente” do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que suspendeu operações e determinou a devolução de cerca de R$ 300 milhões a aposentados.
Segundo o executivo, a instituição sempre cumpriu as normas e não realizou venda casada. Ele atribuiu os questionamentos aos chamados “produtos acessórios”, como pacotes de benefícios com descontos em exames e farmácias, oferecidos junto aos empréstimos.
De acordo com Azevedo, apenas cerca de 12% dos clientes aderiram a esses serviços.
O INSS aponta indícios de irregularidades em ao menos 320 mil contratos, com cobrança adicional de seguros e serviços que teriam reduzido o valor líquido liberado aos beneficiários. A suspensão segue válida até a devolução e correção dos valores.
Durante a oitiva, Azevedo também afirmou que o banco já recorreu ao Judiciário para tentar restabelecer a oferta de crédito e contestou a devolução integral dos valores, alegando que os contratos foram firmados com consentimento dos clientes.
O depoimento ocorre no âmbito das investigações da CPMI, que apura fraudes em empréstimos consignados e prioriza a análise com maior número de reclamações.
Azevedo foi o primeiro representante de grandes bancos a prestar esclarecimentos à comissão. Antes da oitiva, ele tentou evitar o comparecimento, mas teve o pedido negado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma semana, a empresária Leila Pereira foi dispensada de depor após obter habeas corpus.