Banco Central estica a corda e amplia cerco contra o Master por mais 120 dias
Com aval da Justiça, autarquia ganha novo prazo para devassar os bastidores, a contabilidade e os contratos de conglomerado financeiro que está sob intervenção estatal
O Banco Central do Brasil determinou a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito administrativo instaurado contra as instituições que compõem o conglomerado Master.
A decisão estende os trabalhos investigativos por mais 120 dias, com início de vigência marcado para o dia 23 de junho de 2026.
A medida baseia-se nas prerrogativas legais da autarquia aplicadas a processos de liquidação extrajudicial, que admitem o adiamento caso a complexidade dos fatos exija tempo adicional para a coleta de provas.
O procedimento administrativo atinge diretamente o Banco Master S/A, o Banco Master de Investimento S.A., o Banco Letsbank S.A., a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e a Will Financeira S.A., que se encontram sob o regime de liquidação extrajudicial.
A prorrogação engloba também o Banco Master Múltiplo S.A., que está sob o regime de administração especial temporária.
O ato oficial foi formalizado por meio de comunicado do Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora do Banco Central.
O escopo da investigação foca no rastreamento das causas financeiras e operacionais que culminaram no colapso e na consequente necessidade de intervenção do poder público nas empresas do grupo.
O corpo técnico examina a atuação e o nível de responsabilidade dos controladores e administradores do conglomerado durante os cinco anos anteriores à decretação do regime especial.
A legislação assegura à autarquia o poder de realizar auditorias profundas na escrituração contábil, nos arquivos internos, nos ativos físicos e contratuais, além de colher depoimentos formais com o suporte de autoridades policiais.
Paralelamente às auditorias do Banco Central, o caso Master envolve desdobramentos de natureza criminal na esfera do Poder Judiciário.
O Supremo Tribunal Federal mantém um inquérito correlato, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que apura fraudes em transações bilionárias envolvendo carteiras de crédito infladas e indícios de irregularidades em negociações institucionais com entidades financeiras públicas.
As ações conjuntas de fiscalização do Banco Central buscam salvaguardar a higidez e a transparência do sistema financeiro nacional perante o mercado.