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ACM Neto admite que novo União Brasil perderá 40% dos 82 deputados

Ele cita candidatura própria a presidente e elogia o gaúcho Eduardo Leite

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ACM Neto, secretário geral do partido União Brasil - Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto prevê  que o novo partido União Brasil, do qual será secretário-geral, deverá perder “no máximo” 40% da bancada de 82 deputados federais, produto da soma dos parlamentares do PSL e DEM.

A debandada será protagonizada pelos deputados federais que apoiam o governo Jair Bolsonaro e devem se filiar ao partido a ser escolhido pelo presidente. A definição do novo partido de Bolsonaro poderá ser anunciada nos próximos dias.

Juntando PSL e DEM, o União Brasil nasce com 82 deputados, 8 senadores e 4 governadores, mas deve encolher num primeiro momento.

ACM Neto disse, porém, que essa saída de bolsonaristas não o preocupa porque na janela de transferência partidária, prevista para março, a nova sigla deverá receber um grande número de deputados federais de outros partidos.

O político baiano, que disse não estar planejando seu futuro político, fez essas declarações durante entrevista ao “Jornal Gente”, da Rádio Bandeirantes.

Sem espaço para Onyx

O ex-prefeito de Salvador afirmou que o União Brasil “não fará o menor esforço” para manter em seus quadros pessoas que não estejam afinadas com sua linha programática.

Ele disse que a configuração do novo partido os Estados ainda está sendo discutida, mas admitiu substituir aqueles dirigentes em desacordo com a nova conduta política, quando for autorizada a nomação das comissões provisórias nos Estados.

Neto citou o caso do atual ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, que controla o DEM em seu Estado, o Rio Grande do Sul, e pretende ser candidato a governador.

O baiano disse que sempre foi amigo de Onyx, destacou suas qualidades de “quadro orgânico” do DEM, mas deixou claro que dificilmente haverá lugar para ele no União Brasil, em razaão de suas ligações e apoio a Bolsonaro.

Elogios a Eduardo Leite

O futuro secretário-geral do  União Brasil afirmou que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, “tem uma postura muito mais agregadora” que seu rival João Doria, governador de São Paulo, nas prévias do PSDB para a escolha do candidato tucano a presidente da República, em 2022.

O União Brasil quer ter candidato próprio à Presidência da República, mas admite abrir mão da cabeça de chapa numa aliança com outros partidos.

Segundo ACM Neto, há três nomes “bastante consistentes” para se candidatar ao Planalto pelo União Brasil: José Luiz Datena, que era filiado ao PSL, e Rodrigo Pacheco e Luiz Henrique Mandetta, do DEM.

A ideia do novo partido, seja com candidato próprio ou numa aliança, é se consolidar como alternativa à polarização entre Jair Bolsonaro e Lula.

ACM Neto vê um grande arco de partidos que poderiam estar com o União Brasil numa aliança de centro – até mesmo o PDT, de Ciro Gomes.

O político baiano foi entrevistado no programa “Jornal Gente”, da Rádio Bandeirantes, pelos jornalistas Thays Freitas, Sônia Blota, Pedro Campos e Cláudio Humberto.