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CPI do BNDES

Secretário do Coaf diz desconhecer investigação sobre empréstimo

Ricardo Liáo afirmou que só recebeu informações do jornalista

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O secretário executivo do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Liáo, disse hoje (15), em depoimento à comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Câmara que analisa os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não ter conhecimento se o órgão investiga operação de empréstimo da construtora Odebrecht à empresa de consultoria de projetos Noronha Engenharia.

A Odebrecht foi responsável pela construção do Porto de Mariel, em Cuba, e, segundo matéria do site Congresso em Foco, teria feito repasses irregulares à Noronha.

"Desconheço porque, além do contato telefônico do jornalista [do Congresso em Foco] comigo, não recebi, e desconheço se o Coaf recebeu, pelas vias normais de comunicação, informações sobre essa operação. São de 4 a 5 mil comunicações diárias ao Coaf. Pescar uma situação dessas seria difícil. Teria de fazer uma consulta sistêmica", afirmou.

Liáo informou ter sido procurado pelo jornalista em abril do ano passado e questionado, em caráter hipotético, sobre a operação. Segundo ele, o Coaf  consultará seu banco de dados e liberará eventuais informações sobre o assunto sem problemas,  mediante requerimento dos parlamentares.

Segundo reportagem do Congresso em Foco, veiculada em maio de 2014, a Odebrecht teria feito empréstimo de R$ 3 milhões à Noronha Engenharia. Em 2013, sem ter terminado de pagar a dívida, a empresa teria assinado contrato mediante o qual receberia mais R$ 3,6 milhões da construtora para certificar a qualidade das estruturas do porto.

Liáo também foi perguntado se um banco como o BNDES não teria mecanismos para detectar e evitar desvios como o pagamento de propinas e superfaturamento, como os denunciados por executivos da Camargo Corrêa e Engevix no caso das obras de Belo Monte.

"Se o BNDES deveria ter uma área específica de investigação de riscos? Diria que todo banco de porte tem, monta ou constrói dentro da instituição uma estrutura proporcional ao seu tamanho para mitigar eventuais riscos (…) Eu até recomendaria, se não existe, alguma coisa nesse sentido", declarou.

Líao, que já atuou no Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais do Banco Central, está no Coaf desde 2013. Ele afirmou que, nesse período, nunca chegou ao órgão "qualquer tipo de interferência ou crítica" por parte do governo. O órgão, vinculado ao Ministério da Fazenda, tem a função de disciplinar a prevenção da lavagem de dinheiro e classificar as operações suspeitas de lavagem.(Mariana Branco/ABr)