Motim na base

Rui descarta Kelmann, mantém vice e irrita vereadores

Prefeito de Maceió lida com fogo amigo por negar mudar chapa

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A confirmação recente da manutenção do nome de Marcelo Palmeira (PP) na chapa da reeleição do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), frustrou as expectativas de uma maioria de vereadores que tentava emplacar o nome do presidente da Câmara Municipal, Kelmann Vieira (PSDB). Apesar de o tema da escolha do vice ter sido sempre tratado por Rui com discrição e sem lidar com barganha dos partidos aliados, a corda esticou na própria base governista do Legislativo. 

A última semana foi de irritação e decepção por parte dos aliados que interpretavam como reticente a postura de Rui quanto ao vice. Dos 14 vereadores que apoiam o prefeito, pelo menos dez acreditavam que o prefeito tucano reconheceria o compromisso, coroando o desgaste familiar e político de Kelmann Vieira. É que o presidente da Câmara foi estimulado pelo prefeito a deixar o PMDB, após ser eleito com o apoio do sogro e aliado histórico do presidente do Senado Renan Calheiros, Cícero Cavalcante. E ambos interpretaram a virada de casaca como traição imperdoável.

Sem tempo de televisão para barganhar após perder o capital eleitoral com a “tucanização” em bloco com a abertura da janela da minirreforma política, a bancada tucana se uniu a outros aliados insatisfeitos e passou a última semana pressionando outros líderes partidários da chapa em formação, para tentar emplacar o nome de Kelmann, que sempre foi estimulado pela cúpula da Prefeitura de Maceió.

Sem sucesso

Esse grupo de vereadores insatisfeitos imaginava que a amizade e sintonia de Rui com Kelmann ainda seriam capazes de superar a suposta desconfiança do prefeito em deixar o cargo nas mãos de Marcelo Palmeira e de seu padrasto senador Benedito de Lira (PP), para ingressar nas eleições de 2018.

Com o desfecho favorável ao atual vice, os apoiadores de Kelmann foram levados a acreditar em provocações de que o senador Biu teria negociado sair da frente de um eventual plano de Rui ser candidato ao Senado ou ao Governo Estadual. Mas uma fonte bem próxima a Rui garante que tal acordo não foi feito com o prefeito, porque já se tem clareza de que o senador o PP não será candidato à reeleição daqui a dois anos. Fechar questão sobre 2018 não teria sido necessário.

“Rui sempre foi cuidadoso e nunca disse que Marcelo Palmeira não seria o vice da nova chapa. Também não houve disputa pelo espaço por parte de outros partidos como o DEM, o PR e o PDT ou PPS. Inclusive, o prefeito já deu entrevista afirmando que não mudaria o vice. E Kelmann não era uma unanimidade entre os 14 vereadores que apoiam o prefeito”, lembrou uma fonte tucana, ao Diário do Poder.

Outras questões

A presença de Marcelo Palmeira do cotidiano da gestão de Rui Palmeira marcou a história política da capital alagoana, que há tempos não tinha um vice-prefeito operacional. Mas o que pesou mesmo para a manutenção do nome do vice na chapa da reeleição foi o acirramento da disputa com o ex-prefeito e deputado federal licenciado Cícero Almeida, nome do PMDB do governador Renan Filho e do senador Renan Calheiros.

A derrota na tentativa de emplacar Kelmann aumentou ainda a tensão sobre a definição da chapa proporcional. “Os vereadores ficaram chateados porque se expuseram e achavam que Rui deveria ter segurado. Mas aí é questão superada. Disseram que não aceitam Rui deixar de cumprir com outro compromisso de ser chapão nas proporcionais”, disse um vereador ao Diário do Poder.

O que é certo disso tudo é que Rui Palmeira não pretende concluir o mandato para o qual quer se reeleger. E sabe que, apesar de ter afirmado não ser cigana para prever como será 2018, qualquer dissidência será péssima para seja lá qual seja seus planos futuros. O período de convenções começa nesta quarta-feira (20). Mas é preciso checar se os nós amarrados anteriormente precisam ser apertados, para evitar o rompimento da corda, que poderá ser esticada nesse período.