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Renan assedia deputado que pode lhe tomar o mandato em Alagoas

Líder para o Senado, Lessa já recusou comandar Saúde e Turismo

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Sem força para atrair mais aliados para o projeto de reeleição, em 2018, do governador Renan Filho (PMDB) e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), secretários estaduais e aliados da família Calheiros estão pressionando o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL), plantando falsas notícias de que a aliança com o ex-governador já estaria acertada e seria anunciada “em breve”. Mas pedetista que coordena a bancada de Alagoas no Congresso Nacional confirma o assédio, mas nega ter cedido às propostas feitas pelo próprio governador.

O motivo do cerco do PMDB dos Calheiros ao deputado Ronaldo Lessa é o fato de o pedetista liderar pesquisas de intenção de votos para as duas vagas do Senado, que apresentam cenários bem favoráveis à ex-senadora Heloísa Helena (REDE). A dupla tem chances reais de impor uma derrota histórica do ex-presidente do Senado.

Lessa articulou campanha de Renan Filho, em 2014 (Foto: Facebook)Outro fator importante para que Lessa seja tão assediado é seu desempenho vitorioso nas duas últimas eleições: em 2014, quando se elegeu deputado e coordenou politicamente a campanha do governador Renan Filho; e em 2016, quando utilizou construiu as estratégias políticas para reeleger o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), que se tornou o principal rival da família Calheiros, ao derrotar o candidato do PMDB, deputado federal Cícero Almeida, o Ciço.

A proximidade institucional entre o coordenador da bancada e o governador Renan Filho tem sido utilizada como combustível para causar mal estar junto ao prefeito Rui Palmeira, que tem sido incentivado a disputar o mandato de governador, contra a reeleição de seu rival peemedebista. E, mesmo sem afirmar ser candidato, o prefeito tucano aparece em 2º colocado nas pesquisas de consumo interno para o governo.

'NÃO PROCEDE'

O próprio Ronaldo Lessa foi incisivo, ao garantir ao Diário do Poder que eram falsas as “notícias” recentes sobre aliança com Renan Filho e saída da base do prefeito Rui Palmeira: “Não procede”. Na semana passada, o ex-governador que preside o PDT em Alagoas chegou discutir a publicação de uma nota negando o suposto fim da aliança com Rui e retorno para a base peemedebista. Mas considerou que não valia à pena, diante dos recorrentes boatos.

Lessa lidera pesquisas para o Senado em Alagoas (Foto: PDT)Nesta segunda-feira (26), Lessa ainda reforçou a negativa, ao descartar que iria fazer o anúncio da aliança em entrevista marcada com o jornalista Plínio Lins, para logo mais às 21h, em um restaurante do Stella Maris, em Maceió. A entrevista com o jornalista que comanda um programa sobre política, enquanto é assessor parlamentar de Renan com salário de R$ 15 mil no Senado, foi marcada na quinta-feira (22), após a série e boatos.

“As pessoas dizem o que querem. Cada lado diz a sua versão e tenta passar como se fosse verdade. Essa proposta de entrevista já tentamos, há mais de mês. Como eu ia dar essa entrevista, resolvi não dar resposta a ninguém. Pensei em botar uma nota do PDT, para esclarecer os fatos. Mas, depois, como ia ter essa entrevista, achei melhor aguardar um pouco e esclarecer pessoalmente à imprensa. Mas não houve a marcação desse evento para responder ou anunciar qualquer coisa”, disse Lessa, ao Diário do Poder.

‘NÃO ROMPERÁ’

Um dos dirigentes do PDT relata que Lessa não tomaria tal decisão, sem consultar o PDT, como fez, por exemplo, ao anunciar apoio ao prefeito tucano, em 2016, causando a ira de Renan Filho, que retaliou imediatamente, retirando o PDT da estrutura do governo estadual.

“Desde o final da eleição em 2016, eles já ofereceram as secretarias da Saúde e de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Mas eles podem oferecer a cadeira do governador, o Ronaldo não vai desfazer a aliança com o Rui Palmeira agora. Qual o nexo de deixar uma aliança, se ele acabou de sair da reeleição vitoriosa do Rui? Ronaldo disse que qualquer movimentação nesse sentido, ele faria como sempre fez, submetendo a decisão ao partido. Ele não toma decisão só. O PDT é que vota”, disse um dos dirigentes do PDT, ao Diário do Poder.

O último grande apoiador conquistado por Renan Calheiros e Renan Filho foi o prefeito de Teotônio Vilela-AL e ex-deputado estadual Joãozinho Pereira (PMDB), que chamou o ex-presidente do Senado de ladrão de petróleo, em 2014, quando discursava em um comício em seu reduto politico.

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